Em audiência, Papa Francisco nega Corredenção de Nossa Senhora mais uma vez

O Pontífice reafirmou na Audiência Geral desta quarta-feira (24/03) que Jesus Cristo não confiou a Virgem Maria como “Corredentora”, mas como “mãe”. Esta não foi a primeira vez que Francisco negou esta doutrina professada por diversos santos e papas da Igreja Católica. O tema da audiência de hoje era “Rezar em comunhão com Maria”.

A corredenção é a doutrina que remete para uma participação importante da Bem-aventurada Virgem Maria na redenção, pois Maria deu à luz o Redentor (Jesus Cristo), que é o responsável por toda a redenção e salvação, assim ela foi mediadora de redenção. Este conceito está associado, mas não se confunde, com o título mariano de “Medianeira de todas as graças”.

Já foi defendida explicitamente por diversos papas, entre eles: Papa Leão XIII, Papa São Pio X, Papa Bento XV, o Papa Pio XII, o Papa João Paulo II e pelo agora “papa emérito” Papa Bento XVI.

Declarou hoje (24) o Papa Francisco:

“Nossa Senhora é uma mãe que obre a todos sob o seu manto. Jesus nos confiou a ela como mãe, não como deusa, não como co-redentora, mas como mãe”.

É verdade que a piedade cristã sempre dá a Maria títulos bonitos, como faz um filho com a mãe. Quantas coisas bonitas diz um filho a uma mãe que ele quer bem! As coisas bonitas que a Igreja, os santos dizem a Maria não tiram a unicidade redentora de Cristo. Ele é o único redentor. São expressões de amor de um filho a uma mãe. Às vezes exageradas, mas o amor, nós sabemos, sempre nos faz fazer coisas exageradas.”

Antes do Concílio Vaticano II, era muito comum os títulos “Corredentora” e “Medianeira de todas as graças” serem atribuídos à Santíssima Virgem. Por sinal, o Concílio Vaticano II fora pressionado a proclamar tais doutrinas como dogmas, visto que diversos Papas já haviam ensinado tais doutrinas no exercício de seu magistério, mas não o fez. Naquela época, os ramos liberais (adeptos da heresia modernista) conseguiram influenciar as decisões conciliares para uma guinada ao minimalismo mariano. Em suma, a definição dogmática de Nossa Senhora como Co-Redentora foi proposta no Concílio Vaticano II por bispos italianos, espanhois e polacos, mas o seu pedido não foi aceito.

A verdade é que o protestantismo impugna com ardor tais títulos e devoções à Virgem Maria. O espírito do ecumenismo proposto no Vaticano II, inegavelmente irenista e anti-apostólico, contaminou a hierarquia romana. O Papa Francisco apenas parece seguir a opinião dos “peritos” conciliares, em detrimento do magistério de seus antecessores e da opinião dos teólogos pré-conciliares.

Em 2019, Francisco também afirmou contra a Corredenção e foi além, chamou de “perda de tempo” os pedidos para proclamação deste dogma:

“São Bernardo nos dizia que falando de Maria nunca é suficiente louvá-la, mas nunca foi questionado o seu humilde ser discípula, fiel à seu mestre, que também é seu filho, o único redentor: ela nunca quis tomar para si mesma algo de seu filho, nunca se apresentou como corredentora, mas como uma discípula. (…)

Quando alguém chega com histórias que é preciso declará-la isto ou aquilo, é preciso dar-lhes novos dogmas, não vamos perder tempo com essas histórias: Maria é mulher, Senhora, mãe de seu filho e da Santa Mãe Igreja hierárquica, e é mestiça, mulher dos nossos povos que fez Deus mestiço.”

Assim, o Papa contraria os santos da Igreja. São Bernardo na sua obra “Grandezas de Maria”, São Luís Maria Grignion de Montfort na sua obra “Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem Maria” e Santo Afonso Maria de Ligório na sua obra “Glórias de Maria”, referem-se inúmeras vezes, e de modo detalhado, ao modo como é que Nossa Senhora exerceu e exerce o seu papel de Co-Redentora da Humanidade. Mesmo antes do ano 200, Santo Ireneu de Lyon refere-se a Maria como “causa salutis” (causa de nossa salvação) devido aos seu filho.

Grandes teólogos do século XX defenderam esta doutrina, quais sejam, Pe. Frederick William Faber, um mariologista deveras respeitado e o Padre Gabriel Roschini. Além deles, os institutos católicos tradicionais que celebram a Missa Tridentina, como a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) e o Instituto Bom Pastor (IBP) também defendem a doutrina da Corredenção da Santíssima Virgem Maria.

Rezemos pelo Papa Francisco e pelo fim da crise na Igreja com a correção dos equívocos do Concílio Vaticano II.

Salve Roma.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s