O Filioque é uma “subordinação ariana” que favorece o perenialismo? Resposta a um blog “ortodoxo”

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André Messias

Recentemente nos foram enviados alguns textos de um blog cismático Oriental chamado “skemmata”. Em um dos textos o dono do blog traduz um texto do Youtuber anticatólico Jay Dyer sobre o Filioque.  No outro, também se traduz um texto de Jay onde ele tenta “refutar” a doutrina da simplicidade Divina Absoluta. Os textos são recheados de mentiras e falsos argumentos e fugiria ao escopo desse texto refutá-los todos – talvez façamos em outros artigos. Neste artigo queremos focar especificamente na questão do “Filioque” e na argumentação baixa dos cismáticos para o negar. Dividiremos esse texto em quatro partes: uma explicação sobre a doutrina do Filioque; o início da polêmica com os orientais; refutação aos argumentos de Jay Dyer e uma relação da negação do Filioque o Perenialismo. Ao final deixaremos o link do Blog de onde tiramos muitos dos argumentos para refutação.

A Doutrina do Filioque

“Filioque” é a parte do Credo que significa “e do Filho”. Essa frase demonstra que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Esse termo envolve a doutrina católica sobre a Santíssima Trindade que fora muito bem desenvolvida por Santo Tomás de Aquino. Santo Tomás desenvolve teologicamente a doutrina da Trindade estudando-a de acordo com a Revelação. Na doutrina católica, abordada por Santo Tomás, a Trindade consiste em processões executadas dentro de Deus desde toda a Eternidade. Nós, enquanto humanos, somos semelhantes a Deus devido a duas potências, a saber, Intelecto e Vontade, que são faculdades de nossa alma racional. Deus, por ser puro Espírito, apresenta inteligência e vontade. Devido a sua inteligência, Deus pode conhecer a si mesmo e criar o que chamamos de “Verbo mental’’, que seria uma imagem daquilo que conhece – um exemplo é quando nos lembramos de algum lugar que já visitamos e criamos uma imagem dele na nossa cabeça. Mas esse Verbo representa o conhecimento que Deus tem sobre Si, o qual é infinito  igual a ele – se fosse menor Deus seria ignorante e não pode ser maior, pois nada é maior que Deus. Esse Verbo não pode ser outa coisa senão Deus!, o seu Filho gerado do Pai desde toda a eternidade e igual, mas distinto, tendo como única distinção a processão. Seguindo, Deus também apresenta a Vontade, a faculdade que nos faz querer e o ato mais nobre dessa faculdade é o amor. O Pai vê o Filho e se maravilha e o Filho se reconhece no Pai. Desse amor mútuo dos dois é espirado (como em um sopro) o Espírito Santo pela via da Vontade e do Amor. Aqui entramos no Filioque (que significa “e do Filho”), o qual representa que o Espírito Santo foi Espirado do Amor mútuo do Pai e do Filho tendo procedido dos dois desde Toda a Eternidade.

É necessária ser essa a ordem? Santo Tomás mostra que sim pois, como afirma o Doutor Angélico, a Inteligência é a mestra de todas as potências, sendo a Vontade guiada por ela; dessa forma, só amamos o que conhecemos. Explica o Aquinate: “Com o que também está de acordo a razão da processão de um e outro. Pois, já dissemos que o Filho, como Verbo, procede a modo de intelecto; porém, o Espírito Santo a modo de vontade, como Amor. Ora, necessariamente, do Verbo procede o amor. Pois não amamos senão a quem apreendemos pela concepção mental. Por onde, desta maneira, é manifesto que o Espírito Santo procede do Filho” (I Sent., dist. XI, a. 1; IV Cont. Gent., cap. XXIV, XXV; De port., q. 10, a. 4, 5; Contra errores Graec., parte II, cap. XXVII usque ad XXXII; Compend. Theol., cap. XLIX; Contra Graecos, Armenos etc., cap. IV; in Ioan., cap. XV, lect. VI; cap. XVI, lect IV).

Essa é uma posterioridade lógica, não cronológica. O eterno engendramento do Filho do Pai é o mesmo arco que a Sua espiração do Espírito. O Orador (o Pai) que eternamente pronuncia a Palavra eterna (o Filho) simultaneamente liberta a respiração eterna (o Espírito) – uma respiração liberada por causa do enunciado da Palavra eterna e, portanto, com a participação intrínseca da Palavra eterna (ou seja, “através do filho”). Assim, toda a natureza consubstancial de Deus está envolvida, mas a processão do Espírito é trazida (em um sentido coletivo) através da participação de duas Pessoas (o Pai e o Filho) dentro dessa natureza consubstancial. É importante destacar o que foi dito pelo Quarto Concílio de Latrão (1215):

“A Substância (isto é, a Natureza Divina) não gera, não é gerada, não procede, mas é o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede. De tal modo, as distinções estão nas Pessoas, e a Unidade na Natureza”

Não é a substância Divina que distingue, mas as Relações de oposição entre as Pessoas. O que torna todos Deus não são as relações, mas a Unidade da Natureza. Isso é importante para quando formos refutar Jay, mais tarde. Vamos agora seguir para uma breve explicação da Polêmica do Filioque.

A polêmica em torno do Filioque

Para explicar a polêmica citaremos um texto que está presente no site “Apologistas da Fé Católica” do qual não conseguimos encontrar o autor. O texto tem imperfeições – como falar de forma otimista da teoria herética das Energias Incriadas de Palamas ou elogiar Yves Congar como teólogo – mas não deixa de ser excelente por trazer fontes históricas provando a visão católica do Filioque e várias citações de Santos concordando com ela. O texto será uma das bases para o nosso artigo. Deixaremos o link do texto no fim da citação:

“Para abordar de forma mais eficaz a controvérsia e responder às objeções orientais, faremos bem em primeiro analisar a forma como a controvérsia surgiu. “Filioque”, uma expressão latina que significa “e o Filho”, é, naturalmente, uma cláusula que foi adicionada pelo ocidente latino ao Credo Constantinopolitano, originalmente formulada em grego pelo Primeiro Concílio de Constantinopla no ano AD 381. Este Credo de 381, em relação ao Espírito Santo, originalmente se lê:

“Cremos no Espírito Santo, o Senhor, o Doador da Vida, que procede do Pai. Com o Pai e o Filho, Ele é adorado e glorificado”.

A Igreja Ocidental, primeiramente em A.D. 589 no concílio regional de Toledo, alterou esta declaração para incluir:

“Cremos no Espírito Santo, o Senhor, o Doador da Vida, que procede do Pai e do Filho (ou seja, Filioque). Com o Pai e o Filho, Ele é adorado e glorificado”.

Agora, embora tenha demororado algum tempo para que a Igreja Oriental tomasse conhecimento e se ofendesse com essa emenda ocidental, ela acabou se tornando uma séria discussão entre os homens de igreja orientais e ocidentais. E por uma boa razão. Pois, no texto grego original do Credo Constantinopolitano de 381, o termo “procede” (ekporeusis) tinha um significado específico e importante. Significava-se originar de uma única Fonte, Principal ou Causa (Aitia). E a única Fonte, Principal ou Causa do Espírito Santo é, naturalmente, o Pai, e o Pai sozinho. Como diz São Gregório de Nazianzeno ..

“O Espírito é verdadeiramente o Espírito procedente (proion) do Pai, não pela filiação, pois não é por geração, mas por ekporeusis” (Discurso 39. 12).

Na verdade, foi essa a própria teologia dos padres da Capadócia (isto é, Sts. Gregório Nazianzeno, Basilo Magno e Gregório de Nissa) que os bispos de Constantinopla I (381) pretendiam promover quando autorizaram o Credo a dizer “O Santo Espírito … Quem procede do Pai “. – uma referência à monarquia do pai como a única fonte, principal ou causa do espírito. E os bispos de Constantinopla fizeram isso para combater a heresia dos Arianos da Macedônia, que, na época, reivindicavam que o Espírito era apenas uma “criação” do Filho. “Não”, dizem os padres do Concílio, “o Espírito é Divino e tem Sua Fonte, como o Filho, com o Pai”. É do Pai que o Espírito procede.

Então, para alguém que venha dessa herança oriental, para qualquer falante grego que saiba o que o termo “ekporeusis” implica (ou seja, processão de uma única fonte, principal ou causa), a adição da cláusula latina “Filioque” (“e o Filho”) desafia seriamente, se não destrói totalmente, o significado originalmente pretendido desta afirmação do Credo. E nós, católicos romanos, concordamos totalmente e admitimos isso. A introdução do Filioque é claramente uma desviada da intenção e design original da versão A.D. 381 do Credo Constantinopolitano. No entanto, não é um afastamento da ortodoxia apostólica. E aqui está o motivo:

Em primeiro lugar, é preciso apreciar a autêntica história do Concílio AD 381 de Constantinopla, que não foi reconhecido no Ocidente (ou no Oriente) como ecumênico até o tempo do Concílio de Calcedônia em 451 DC. do despertar do Concílio de Nicéia (AD 325), o arianismo experimentou um ressurgimento dramático no Oriente, com impacto muito limitado no Ocidente. Nos anos 360, e especialmente com a eleição do Papa São Dâmaso I em A.D. 367, o Ocidente estava livre de qualquer influência ariana nativa. Não tanto no Oriente, no entanto, onde um grande número de bispos ainda eram arianos. A própria Constantinopla era uma Sé formalmente ariana, com arianismo oficialmente promovido pelo imperador oriental Valente. Mas quando Valente foi morto lutando contra os visigodos em 378 dC na batalha de Adrianopola, seu colega católico / ortodoxo ocidental, o imperador Graciano, nomeou o próprio general hispânico católico / ortodoxo geral Theodosius para se tornar o novo imperador oriental como Theodosius I. Depois de um ano pacificando os visigodos revoltosos, Theodosius (que era, não se esqueça, um ocidental) chamou um concílio para essencialmente livrar a capital imperial oriental do arianismo e restaurá-la com a comunhão com o resto da Igreja. Isto é para o que o Concílio de Constantinopla foi projetado para ser nominalmente, ser um concílio regional e oriental. E, embora tenha sido aprovado e ratificado pelo Papa Dâmaso em Roma (assim diz Photius em Mansi, III, 596 – pois tais concílios regionais sempre, por questão de costume, enviaram rescritos de seus decretos a Roma para ratificação), Roma não se vê como participante no Concílio; e Alexandria, a segunda Sé da Igreja, teve alguns sérios problemas com isso. Assim, o Credo proclamado em Constantinopla I em AD 381, que é marcadamente diferente do Credo proclamado em Nicéia em 325 AD (onde não se faz menção à processão do Espírito), não foi adotado (neste momento) por Roma ou a outros patriarcados como algo semelhante ao Credo “oficial” ou universal da Igreja – um Credo com autoridade ecumênica. Este é um ponto significativo, que abordarei mais adiante.

Quando o Ocidente romano finalmente conseguiu implementar o Credo Constantinopolitano (em oposição ao Credo de Nicéia de 325) em suas Liturgias ocidentais, … o que, mais uma vez, não aconteceu até o tempo do Concílio de Calcedônia (c 451 ) … a tradução latina do Credo Constantinopolitano carregava uma diferença notável. O termo grego para “processão” (ekporeusis – “ek tou Patros ekporeuomenon”) foi traduzido para o latim como “procedit” (“ex Patre procedentum”) – um termo que, ao contrário do grego, não implica processão de uma única fonte, principal ou causa.

E era natural que os latinos traduzissem a expressão grega dessa maneira. Pois, a declaração do Credo foi desenhada (pelos padres de Constantinopla I, e os Capadócios antes deles) de João 15, 26, que se lê:

“… o Espírito da Verdade, que procede do Pai …”

Em grego, está escrito: “… para tou Patros ekporeutai”. Mas, na Vulgata de São Jerônimo e em todas as traduções latinas anteriores do Evangelho de São João, isso sempre foi traduzido como “… qui a Patre procedent …”

Assim, a implicação grega da palavra nunca foi parte da herança ou experiência latina, nem foi diretamente conhecida dos latinos desde o momento em que adotaram o Credo Constantinopolitano (c 451 A.D.) em. Assim, quando Toledo adicionou o Filioque ao Credo Constantinopolitano em 588 dC, os bispos ocidentais não tinham intenção de alterar o significado grego do Credo (isto é, o significado original, pretendido dos padres Constantinopolitanos) porque aquele significado original, pretendido não era diretamente conhecido por eles. Em vez disso, tudo o que o Ocidente jamais pretendia fazer era elaborar no que o que o termo latino “procedit” se referia, ou poderia se referir, em um entendimento ortodoxo ocidental. E dado que o “procedito” latino traz uma implicação diferente da “ekporeusis” grego, o que isso significa é que era possível (para o Ocidente) enfatizar uma verdade diferente e igualmente ortodoxa sobre a processão do Espírito Santo que o que os padres em Constantinopla originalmente pretendiam referir-se(mais sobre isso em um momento).

Com isso dito, no entanto, deve-se notar que nem o concílio o de Toledo, nem qualquer decreto romano em favor de Toledo ou outras acomodações do Filioque, jamais negaram Constantinopla I ou o significado grego original do Credo. Pelo contrário, o próprio Toledo anatematizou qualquer um que negasse os ensinamentos de Constantinopla I (381) e os outros Concílios ecumênicos. E assim, segue-se que a Igreja ocidental (apesar de uma apreciação deficiente da expressão grega) nunca abandonou ou deu as costas ao significado original, pretendido, de “processão” como proclamado pelos padres em Constantinopla. Em vez disso, a Igreja ocidental ensina e sempre ensinou que o Pai e o Pai sozinho, é a Fonte, Principal e Causa (“Aiton”) do Espírito Santo – isto é, a proclamação formal de Constantinopla. Na verdade, até Santo Agostinho , que muitas vezes é transformado em um bode expiatório intelectual entre alguns ortodoxos orientais (seu argumento é que Filioque se baseia totalmente na teologia supostamente errônea de Agostinho) ensinou claramente que o Espírito Santo procede do Pai “principaliter” – isto é, ” como Princípio” (De Trinitate XV, 25, 47, PL 42, 1094-1095). Portanto, claramente não há contradição entre Agostinho e os Capadócios ou os Padres Constantinopolitanos sobre esta questão. Tanto o Oriente grego como o Ocidente Latino confessam, e sempre confessaram, que o Pai sozinho é a Causa (Principium) do Filho e do Espírito.

Ergo, a Igreja Católica não nega o Credo Constantinopolitano como originalmente escrito. É por isso que nossas Igrejas Católicas Bizantinas rezam o Credo sem o Filioque e por que até nós, romanos, podemos recitar o Credo sem o Filioque quando participamos de Lituargias Ortodoxas Orientais ou Ortodoxas Bizantinas. É também por isso que rejeitamos a cláusula “… kai tou Uiou …” (“… e o Filho”) sendo adicionada à expressão Creedal “ek tou Patros ekporeuomenon” em grego, mesmo quando usada pelos católicos do Rito Latino nas comunidades de língua grega . Se a palavra grega “ekporeusis” ser usada ou pretendida, então é incorreta e herética dizer que o Espírito procede do Pai “e do Filho”. Nem o Oriente nem o Ocidente acreditam que o Espírito procede “do Pai e do Filho” como uma fonte comum ou principal (aitia). Em vez disso, essa Fonte e Principal (Aiton) é o Pai, e o Pai sozinho.

Mas, se a Igreja ocidental concorda com o Oriente que o Espírito procede apenas do Pai, então, o que significa “Filioque” – que o Espírito prossegue “do Pai e do Filho”? Muito simples, e tendo em mente o isolamento do Ocidente da intenção original do idioma grego do Credo Constantinopolitano, o que o Ocidente quer expressar é uma verdade igualmente válida, mas distinta e paralela à intenção original do idioma grego. Pois, quando o Ocidente fala da “processão” do Espírito do Pai e do Filho, está se referindo a algo diferente de “processão” a partir de uma única fonte (aitia). Não é advogar duas fontes ou princípios para o Espírito, ou algum tipo de “dupla espiração”, como é comumente (erroneamente) assumido por muitos ortodoxos orientais. Em vez disso, está usando o termo “proceder” em um sentido diferente. E a melhor maneira de ilustrar os dois sentidos ou usos diferentes do termo “precessão” (grego versus latim) é a seguinte analogia:

Se um pai e um filho humanos vão para o seu quintal para jogar um jogo de captura, é o pai que inicia o jogo da captura jogando a bola para o filho. Nesse sentido, pode-se dizer que o jogo da captura “procede” desse pai humano (uma “aiton”); e este é o sentido original do grego usado no credo Constantinopolitano ”Procede” (”ekporeusis”). No entanto, tomando esse mesmo cenário, também pode-se dizer com justiça que o jogo da captura “procede” do pai e do filho. E isso é porque o filho tem que estar lá para que o jogo da captura exista. Pois, a menos que o filho esteja lá, então o pai não teria ninguém para jogar a bola; e assim não haveria nenhum jogo de captura. E, nesse sentido (pode-se dizer um sentido “coletivo”) que o Ocidente usa o termo “procede” (“procedit”) no Filioque. Assim como reconhecendo a necessidade da presença do filho humano para que o jogo da captura exista, de nenhuma forma, desafia ou ameaça o papel do pai humano como fonte ou iniciador (aition) do jogo de captura, então o Filioque não nega o papel singular do Pai como a Causa (Aition) do Espírito; mas meramente reconhece a Presença necessária do Filho (isto é, participação) para a eterna processão do Espírito do Pai a Alguém mais, no caso, ao Filho eterno. O Pai e o Filho são assim identificados coletivamente como responsáveis pela processão do Espírito. Isso é tudo o que o Filioque foi destinado a abordar; e foi incluído no Credo pelos padres ocidentais em Toledo para contrariar as reivindicações dos arianos espanhóis (germânicos) do século 6. Esses arianos estavam, naturalmente, negando essa verdade essencial e ortodoxa – isto é, a participação eterna do Filho na processão do Espírito – uma questão que nunca foi desafiada ou abordada de forma abrangente na experiência bizantina, além do fato de que existe ao longo dos escritos dos padres orientais a profissão de que o Espírito procede do Pai “através [ou” por meio do “] filho”. – uma expressão equivalente ao Filioque.” (Apologistas da Fé Católica, Filioque: Uma resposta às objeções dos ortodoxos)

O Filioque, portanto, deveu-se, inicialmente, a diferenças terminológicas entre Grego e Latim. Todavia, no século IX, o Patriarca de Constantinopla Fócio embebido por um Nacionalismo patológico – pois a Igreja de Roma começou aproximação com os Francos que na visão dos Bizantinos eram “bárbaros”, o que gerou um sentimento de traição da Pátria entre os Bizantinos – começou a afirmar que o Filioque seria um “monstro semi-sabeliano”. Ele escreveu sua posição em um Livro chamado “Mystagogy” que é usado como base até hoje pelos “ortodoxos”. A rejeição doentia de Fócio à doutrina do Filioque gerou o absurdo que é a maioria dos “ortodoxos” atuais defender que não existe relação eterna entre o Filho e o Espírito Santo. Isso gera implicações absurdas que abordaremos melhor no final do texto.

Refutando objeções do artigo 

Para responder ao artigo de Jay dividiremos em partes respondendo a cada uma das suas objeções.

Disse Jay: “Essa geração, [Do Filho] feita pela vontade é um alicerce do argumento ariano e sua rejeição é fundamental para o dogma ortodoxo de que o Filho é homoousios (de mesma essência) com o Pai. Na medida em que existe uma vontade em Deus, e a vontade é uma propriedade da natureza, o Pai, o Filho e o Espírito compartilham a mesma vontade natural. Este fato básico deve ser conhecido e admitido por todos, mas surge um problema devastador quando chegamos ao dogma consagrado de Roma sobre a chamada “dupla” processão do Espírito — Roma não só afirma erroneamente que o Pai-Filho opera como uma única fonte de “princípio único”, mas também é dito que a espiração do Espírito origina-se da vontade do Pai e do Filho (..) A pessoa, a vontade, a essência, o ato ou a energia estão aqui fundidos e confundidos, como será a norma perene para a teologia ocidental, mas cito isso para mostrar que Agostinho estava bem ciente do argumento Eunomiano e Ariano de que o Filho era um produto da vontade do Pai. Embora seja certamente um argumento ruim, a resposta de Agostinho é que se qualquer Pessoa na Trindade é a vontade (ou um produto da vontade), é o Espírito! Por quê? Porque nesta tradição latina, em Deus, Suas ações são estritamente Sua essência — e não só isso, elas também são Pessoas. Ao invés da formulação Ortodoxa do amor como uma energia divina natural – em que todas os Três têm em comum – aqui, “amor” é de alguma forma mais uma Pessoa do que outra. A “justiça” também é uma pessoa divina? E a Onisciência? Se o Espírito é a vontade, e também é um produto da vontade, a estupidez deste erro se torna manifesto, pois o Espírito espira a Si mesmo. Esta longa e louca confusão é justamente refutada no famoso tratado de São Fócio, o Grande, a Mistagogia do Espírito Santo(..) O Catolicismo Romano, no seu zelo para defender este erro, simplesmente transferiu um antigo argumento subordinacionista ariano sobre o Filho para o Espírito! A ironia aqui é que o filioquismo é ignorantemente apresentado como uma resposta ao Arianismo, ao mesmo tempo que fazia o mesmo argumento que os arianos fizeram sobre o Filho e aplicando-o ao Espírito: que Ele é um produto da vontade. Além disso, isto é promovido em seus manuais dogmáticos, apologias cotidianas e catecismos clássicos. Admitir que isso é um erro é realmente o colapso de todo o edifício (o que já está acontecendo de qualquer maneira).”

O argumento é longo, portanto, respondamos por partes. Primeiro, ele afirma que o fato de o Espírito Santo ser espirado da Vontade seria uma forma de subordinacionismo Ariano, pois eles também afirmavam que o Filho era uma criatura dizendo que ele foi feito da “vontade “de Deus. Esse argumento não é novo; na verdade o “grande Santo” Gregório de Palamas já tinha usado um argumento similar contra o Filioque ao tratar da obra do Patriarca Bekkos. O Arcebispo de Nicéia, Bessarion, leu a crítica de Palamas e a respondeu de forma Magistral:

“Mas quanto ao que ele [Palamas] diz, que dizemos que o Espírito é uma obra da vontade divina e, portanto, uma criatura, porque apresentamos à mente a identidade da vontade, não posso dizer se alguém que não seja ele mesmo seria persuadido por isso.  Pois se ele pensa que, porque a palavra ‘através’ indica vontade, o Espírito será inferido como uma criatura, por que o Espírito não será mais uma natureza divina e glorificada por nós, porque a palavra ‘através’ apresenta à mente a identidade da substância?  E, de fato, a expressão que ele tirou do grande Máximo nos ensina a mostrar bastante sua identidade substancial; pois ele diz: ‘para que possam exibir diante da mente a coerência e a invariabilidade da substância’.  E mesmo que ‘através’ mostrasse apenas a identidade de sua vontade, mesmo neste caso nada de absurdo se seguiria, quando se entender que, em Deus, vontade e substância são as mesmas.  Pois ninguém concordaria que esse poder é mais simples e superior que todos os outros.  E quem não sabe que todo poder até agora é considerado maior, pelo grau em que é mais simples e mais alto?  E a partir disso, também, segue-se que a vontade de Deus, em relação ao Filho e ao Espírito, tem o caráter da natureza, enquanto, em relação à criação, tem o caráter de vontade.  Pois é evidente que toda vontade e a própria vontade divina permanecem, como a natureza, em relação a um fim, desejando-a de uma maneira definida, assim como a natureza também tende a uma coisa única e definida que lhe é apropriada.  Mas o fim da vontade de Deus Pai é o Filho e o Espírito: para estes, como natureza, é necessariamente direcionado.  Mas, no caso daquelas coisas que existem em relação ao fim, e especialmente daquelas sem as quais o fim pode ser alcançado, como são as criaturas (pois elas não contribuem em nada para o ser de Deus ou para que Deus seja melhor), para estes, a vontade é dirigida, não de maneira definida, e, por esse motivo, possui, nesse caso, o status de vontade: pois pode desejar essas coisas e não desejar.  Assim, ambas as coisas ditas por Damasceno são preservadas, e somos livres de toda acusação, e o argumento contra nós declara nada necessário.  Assim, ao pensar que ele diz alguma coisa, ele acaba falando contra si mesmo.” (The debate on Bekkos’s Epigraphs)

Portanto, no que se refere às pessoas Divinas, a Vontade tem caráter de Natureza, o que não acontece quando se refere as criaturas das quais Deus não tem dependência -tendo caráter de Vontade propriamente- e pode querer ou não.  Mas por que isso ocorre no caso das criaturas? Santo Tomás esclarece:

“Como a existência divina é necessária por si mesma, o mesmo ocorre com a vontade e o conhecimento divinos; mas o conhecimento divino tem uma relação necessária com a coisa conhecida; não com a vontade divina com a coisa desejada. A razão para isso é que o conhecimento é essencial. coisas que existem no conhecedor; mas a vontade é direcionada para as coisas como elas existem em si mesmas. Desde então, todas as outras coisas têm existência necessária na medida em que existem em Deus; mas não há necessidade absoluta para serem necessárias em si mesmas, na medida em que existem em si mesmos, segue-se que Deus sabe necessariamente tudo o que sabe, mas não quer necessariamente o que quer. “ (I, Q. 19, A. 3).

Portanto, o que muda não é a Vontade Divina, mas sim ao que ela está se referindo.

Em segundo, Jay segue a posição Fociana que diz que Santo Agostinho, por exemplo, descreve o Espírito como “o Amor” entre Pai e Filho e ele contrapõe isso com a revelação bíblica de que a própria Trindade (isto é, a Natureza Divina) é o Amor (1 João 4: 8) para tentar fazer uma falsa confusão entre  atributos e as Pessoas Divinas. Mas tais expressões não são simples ou tão rigoristas como essa posição quer passar. Por exemplo, chamamos a Terceira Pessoa da Trindade “o Espírito”. Mas Deus, o Pai, também é chamado de “Espírito” por Cristo (João 4: 23-24). Do mesmo modo, o próprio Cristo, apesar da Segunda Pessoa da Trindade e claramente distinta da Terceira Pessoa da Trindade, seja chamado de “Espírito vivificante” (1 Coríntios 15:45). Isso entra em conflito com a descrição do Credo da Terceira Pessoa como “o Espírito Santo … o Dador da Vida”? Na verdade, Deus é “Espírito” como uma qualidade de Sua própria Natureza – a própria Trindade. Isso “confunde os atributos naturais e pessoais”? Evidente que não. Ademais, simplicidade divina não se contradiz com a Trindade como Mostra Dom Estevão Bettencourt:

“Elas [as Processões Divinas] não implicam divisão da infinita perfeição ou da Substância de Deus; esta fica sendo uma só e a mesma, afirmando-se, porém, três vezes. Destarte, a Trindade de Pessoas não derroga em absoluto a unidade e simplicidade da natureza divina. As três pessoas só diferem entre si por aspectos relativos, não por títulos absolutos, isto ê, diferem porque a primeira é Deus que concebe e a segunda é Deus mesmo que corresponde a este ato de conceber; por sua vez, a terceira Pessoa é Deus que corresponde ao ato de amor emitido pelo Pai e o Filho. As três Pessoas, portanto, têm (ou são) toda a Perfeição Divina, que se diversifica apenas por três modos de subsistir; e esses três modos se apelam mutuamente, são correlativos e inseparáveis entre si, mas não se podem identificar uns com os outros, porque os termos correlativos, por definição, se opõem um ao outro (todo pai, na medida em que é pai, se distingue de seu filho, embora só seja pai caso exista o filho)” (Dom Estêvão Bittencourt, Revista Pergunte e Responderemos nº 1 – jan/1958)

Logo, os argumentos de Jay ou de Fócio, demonstram o desconhecimento da doutrina católica tentando forçar uma oposição entre “Pessoa” vs “Natureza” que não existe.

Seguimos com os argumentos de Jay agora referentes ao outro texto

Disse Jay: “O que é interessante aqui é que a tentativa do concílio [De Latrão] de declarar a origem do Espírito deriva de uma “realidade” que é Pai e Filho, que é a “substância” comum dos dois, ou essência de Deus, e que como resultado, a origem hipostática do Espírito é aqui definida. É interessante que a substância real é continuamente apresentada como a natureza divina e, no entanto, ao tentar defender as Pessoas distintas e sua origem, a origem hipostática do Espírito é claramente declarada como sendo a essência comum do Pai e do Filho. O problema é que o Espírito compartilha esta essência comum e, assim como São Fócio argumentou corretamente na Mistagogia há muito tempo, isso significa que o Espírito também espira (spirates) Ele mesmo. Além disso, se produzir uma pessoa é o que constitui divindade, o Espírito Santo é necessariamente subordinado.

O Pai e o Filho compartilham uma propriedade especial que o Espírito não possui, e assim há um desequilíbrio dialético introduzido na Divindade. Isso também mostra que as tentativas mais recentes do Vaticano em conceder terreno aos ortodoxos na famosa Declaração não abordam a verdadeira questão – Roma nunca poderia desistir de uma dupla origem hipostática, apesar de sua disposição de admitir até mesmo uma manifestação eterna! Por quê? Porque Roma definiu dogmaticamente muitas vezes que a dupla origem do Espírito é hipostática, e não uma manifestação eterna. O que essa inestimável citação de Roma mostra é que estamos corretos – o Filioque é absolutamente um resultado direto da simplicidade divina absoluta.

É importante notar também que ainda que esta declaração tente dar um lugar ao Pai como a Monarquia da Divindade (como Roma mais tarde tentaria fazer), a Monarquia do Pai é comprometida fazendo a origem do Espírito não estritamente a Hipóstase do Pai, mas a essência comum do Pai-Filho”

Jay, nesses argumentos, demonstra não ter entendido o que disse o concílio. Vamos repetir o que diz o concílio:

“A Substância (isto é, a Natureza Divina) não gera, não é gerada, não procede, mas é o Pai que gera, o Filho que é gerado, o Espírito Santo que procede. De tal modo, as distinções estão nas Pessoas, e a Unidade na Natureza”

Esse argumento Fociano de que o Espírito Santo deveria “espirar a si mesmo” só teria validade se a Substância Divina fizesse tal ato, o que não ocorre. Pois, se assim o fosse, o Filho também deveria ter “gerado a Si mesmo”. A Espiração é um ato da relação entre as Pessoas. Fócio pensava que o Filioque significava que o Espírito Santo procede de dois princípios mas, uma vez que o Pai e o Filho são um em tudo em que não se distinguem por oposição de relação e não são relativamente opostos em serem o princípio do Espírito Santo, Eles são o único princípio a partir do qual o Espírito Santo procede, como São Tomás de Aquino, o príncipe dos teólogos, demonstra. O termo “princípio do Espírito Santo” é um nome substantivo (nome substantivo é uma forma com coexistente suppositum), porém com isso não dizemos que há dois princípios porque, ainda que o Pai e o Filho sejam duas fontes supposita de infusão, Eles são uma única forma – Deus. Usamos “princípio” em um sentido indeterminado quando confessamos que o Pai e o Filho são um e único princípio do Espírito Santo. Longe de ser supérfluo, o Filioque é necessário, já que o poder do Pai e do Filho é numericamente uno e o que quer que seja do Pai tem também de ser do Filho, a menos que se oponha à filiação, razão pela qual o Filho não procede Dele próprio mas, ao contrário, do Pai.

Também não argumentamos que “constituir uma Pessoa é o que produz Divindade”; essa é a posição Fociana. O mesmo patriarca de Constantinopla pensava que se ambos, Pai e Filho, infundem o Espírito Santo, então o Espírito Santo, a fim de que tenha igualdade e unicidade com o Pai tal como o Filho as tem deveria, com o Pai, originar o Filho (Mystagogy, §4, p. 102). Predicamos, ao contrário, similitude entre as Pessoas divinas na unicidade da essência, não nas “propriedades relativas”.

Jay então argumenta que o Filioque gera uma “dialética na Divindade” e que ele compromete a Monarquia do Pai. Isso só seria verdade se o argumento de Fócio de que o Filho adquiriu propriedades únicas do Pai fosse verdadeiro. Fócio ecoa o ensinamento dos Padres capadócios de que cada ιδιος real divino é comum a todas as três pessoas ou próprio a uma pessoa (Mystagogy, §19). Mas ele se equivocou ao pensar que o filioque atribui ao Filho propriedade distinta da do Pai e que, portanto, confunde as propriedades hipostáticas do Pai e do Filho, destruindo a μοναρχία (Monarquia) do Pai (Mystagogy, §10). Há três propriedades pessoais, considerando propriedades no sentido estrito de uma relação de origem que constitui uma pessoa divina: a propriedade do Pai – paternidade – é a γέννησις (geração); a propriedade do Filho é a filiação; e a propriedade do Espírito Santo é a processão, ou seja, a infusão passiva. Essas são propriedades pessoais distintas porque são instâncias de oposição relativa: o Pai para o Filho, o Filho para o Pai, e o Espírito Santo para o Pai e o Filho – pois, se o Espírito Santo tivesse uma relação de oposição apenas com o Pai, então Ele não se distinguiria do Filho, criando-se um monstro semissabeliano. A infusão ativa é uma relação, não uma propriedade. Não é uma propriedade pessoal do Pai, consoante Fócio, porque ela não se opõe relativamente à paternidade ou à filiação; a infusão ativa, portanto, é comum a Pai e Filho. O Filioque, assim, não é lesivo à monarquia do Pai.

Jay demonstra desconhecimento básico da Doutrina católica, o que o leva a ficar preso só nas opiniões já refutadas de Fócio. E por último temos o pior argumento dele

Disse Jay: “Todas as religiões são símbolos do inefável, certo? Quando Santo Agatão descreve as duas vontades e operações naturais em Cristo para o VI Concílio, as operações são energias ali. As definições desse concílio são baseadas no debate de São Máximo: duas vontades naturais e duas energias naturais são baseadas na idéia já dogmatizada do oriente em que hipóstase, vontade, energia e natureza são todos distintos – se não fossem, os monotelitas estariam corretos. Colapsar tudo isso na simplicidade divina absoluta afeta não apenas a triadologia – também mina toda a cristologia de todos esses concílios. A ação de Jesus criando o mundo é obviamente uma ação diferente de Sua caminhada sobre a água, embora ambas sejam ações próprias de Sua divindade no communcatio idiomatum. A única conclusão coerente para tudo isso é que as distinções são reais, e os atos de Deus não são Sua essência. O mesmo se aplica à Encarnação – a Pessoa de Cristo se distingue de suas ações ou energias que são próprias de Sua humanidade e Sua divindade, e é por isso que São Gregório Palamas diz que tudo isso [essa confusão] resulta em ateísmo. Na doutrina da simplicidade divina absoluta, Deus pode ser “primeira causa”, Satanás, os archons gnósticos, Allah, etc. porque essa doutrina leva diretamente ao perenialismo maçônico do Vaticano II como visto na Dignitatis Humanae e Nostra Aetate – porque tudo o que conhecemos de Deus são formas criadas intercambiáveis a la analogia entis. Na visão simplicidade-absoluta-maçônico-perene, todas as religiões e suas confissões e ritos são meras formas simbólicas que buscam o inefável. Ratzinger até mesmo fala assim na Introdução ao Cristianismo – quando não há graça incriada e nous, Deus é removido de ser imanente no mundo em Suas energias e o ateísmo é o resultado. No entanto, uma vez que os católicos romanos geralmente só se preocupam em debater o que os papas disseram, então vamos resolvamos isso com o Papa João VIII, que indiscutivelmente proibiu a inclusão do Filioque.”

Esse argumento é tão absurdo e confuso que chega até a ser ridículo. Jay está falando de Deus ou de Cristo? Enquanto é Deus, Cristo é de todo simples, e as diversas coisas que podemos ver nele são distinções só de razão. Quanto a Cristo como um  todo, uma só hipóstase ou pessoa, mas duas vontades e duas operações. Isso de energia é que é uma falácia. Enquanto Deus, Cristo só tem potência ativa; enquanto homem, tem as duas. Tirar isso como pressuposto para dizer que a única explicação seria que o ocidente “se baseou numa na noção já dogmatizada no oriente de distinção” é uma salto mental absurdo. Aliás, dizer que “já dogmatizada no Oriente” é errado. as teses heréticas de Palamas não eram defendidas pelos pais orientais.  Em grego, enérgeia, quer dizer potência ativa. As operações de Deus. Quando os Pais falam que conhecemos a Deus por suas “energéias” eles se referem que conhecemos a Deus pelas suas operações. Isso é exatamente o que Santo Tomás dizia quando partia dos efeitos  Para Causa( Deus). A teologia de Palamas era uma novidade entre os Bizantinos deixaremos um artigo excelente aqui para quem quiser se aprofundar. O Próprio Padre Martin Jugie denunciava isso em seus livros

“O sistema de Palamas é inegavelmente uma novidade na história da teologia bizantina” (Padre Martin Jugie, citado em Gregory Palamas and the Making of Palamism in the Modern Age por Normal Russell, Oxford Univ. Press, 2019)

Os palamitas “concebem Deus de maneira antropomórfica [isto é, de maneira a ter atributos humanos) e colocam nele uma composição metafísica… de substância e de acidente” (cf. Padre Martin Jugie, citado em Gregory Palamas and the Making of Palamism in the Modern Age por Normal Russell, Oxford Univ. Press, 2019).

“As “origens do palamismo podem ser encontradas no falso misticismo que começou a infiltrar-se no monasticismo bizantino aproximadamente na época em que a própria igreja bizantina rompeu os últimos elos que o haviam conectado à igreja romana.” (Padre Martin Jugie, citado em Gregory Palamas and the Making of Palamism in the Modern Age por Normal Russell, Oxford Univ. Press, 2019)

A ideia de que as Energias são atributos Divinos infinitamente separados da essência e que não se identificam com ela não encontra fundamento nos pais capadócios. Aliás, como Jay citou Santo Agatão vejamos algo interessante que ele diz

“… confessamos que a Trindade santa e inseparável, isto é, o Pai, o Filho e o Espírito Santo, é de uma divindade, de uma natureza e substância ou essência, de modo que professamos que ela também possui uma vontade, força, operação natural, dominação, majestade, poder e glória…” (Papa São Agatão, Carta ao Imperador, III Concílio de Constantinopla)

E o Segundo Concílio de Constantinopla, 553, Cânon 1:

“Se alguém não confessar uma natureza ou essência de Pai e Filho e Espírito Santo, e um poder e autoridade, uma Trindade consubstancial a ser adorada como uma divindade em três hipóstases ou pessoas , tal seja anátema.”

Isso é o exato o oposto da teologia herética de Gregório de Palamas que colocava composições e distinções nos Atributos Divinos e distinguia entre um θεότης superior (a essência divina) e um θεότης inferior (as ‘energias não criadas’). Palamas se referia a eles como θεότης ὑπερκειμένη (a divindade situada acima) e θεότης ὑφειμένη (uma divindade que é mais baixa). Quem está contradizendo Santo Agatão agora Jay? Quanto a acusação ridícula de perenialismo dizemos que só uma variada criação é capaz de expressar bem a simplicidade que é Deus, porque essa simplicidade encerra TODAS AS PERFEIÇÕES. A criação é como que um reflexo das perfeições invisíveis que, realmente, se identificam com a essência de Deus. Mas é interessante vir essa acusação de um “ortodoxo” lembra a frase atribuída ao Revolucionário Vladimir Lenny “acuse-os do que você é”. Seguiremos agora o texto para mostrar como é a teologia cismática que se identifica com o perenialismo.

Negação do Filioque e o perenialismo – “um pequeno erro no princípio é grande no final”

Santo Tomás em seu livro “de ente et essentia” afirma que “um pequeno erro no Princípio é grande no fim”. Tal frase demonstra que mesmo o menor dos erros pode ser bem pernicioso. Por isso a Igreja sempre se esforçou para condenar heresias nos mais mínimos detalhes. A negação do Filioque pelos cismáticos pode ter começado como algo meramente nacionalista, mas, a partir dela, derivou-se uma teologia esotérica que se assemelha ao Perenialismo.

Antes de mais nada, vamos definir rapidamente o que seria o Perenialismo. A doutrina Perenialista prega que houve uma tradição ou filosofia Perene que remonta aos tempos imemoriais. Essa Tradição teria se diversificado e se manifestado nas várias religiões ao redor do mundo. Todas as religiões, em sua essência, seriam a mesma; disso procede puxar a Unidade transcendental das Religiões. O Famosos Perenialista René Guénon definia que era necessário manter-se as aparências de uma religião “exotérica” enquanto alguns gurus, dentro dessa religião, iniciariam seus discípulos na religião “esotérica” que seria a Perene. O conhecimento, para os perenialistas, seria puramente intuitivo sendo as Doutrinas, Dogmas e todos os aspectos hierárquicos de uma crença coisas meramente “exotéricas” ou aparências que poderiam trazer  a Salvação apenas num sentido individual não num sentido superior e coletivo- essa só viria pelo Saber intuitivo da religião Perene que proporcionaria uma total integração com o absoluto. Guénon também defendia que havia alguma religião que preservava ainda grande parte do saber Perene. Ele antes atribuiu essa crença ao catolicismo – e se infiltrou nos meios católicos – mas depois partiu para o Islã. O que isso tem a ver com os “ortodoxos”? Mostraremos em três pontos.

Primeiro, veremos o que “são” Gregório de Palamas falava cerca da Igreja Hierárquica e sobre a Doutrina nas palavras de um próprio “ortodoxo”

“A eclesiologia ortodoxa – é impossível dentro da teologia do hesiquismo, que atribui à transformação espiritual, e não à prerrogativa institucional, seja “ligada” ou “desligada” a um determinado trono episcopal, a fonte da doutrina correta.  Aqueles que são iluminados por Deus o conhecem verdadeiramente, como fizeram alguns dos papas ortodoxos de Roma antes da queda da Igreja, mas esse conhecimento é apenas o produto da união com Cristo, tanto no mendigo quanto no papa, como São Gregório argumenta de maneira tão eloquente em seu ensaio…  A própria estrutura da teologia palamita não permite qualquer atribuição de jurisdição ou autoridade universal, exceto no sentido tradicional de “honra” e “eminência” a qualquer pessoa na Igreja. Gregório identifica resolutamente e inequivocamente o verdadeiro ensino e toda autoridade com a iluminação espiritual, que, por sua vez, é o produto de um encontro verdadeiro e genuíno com Deus, compartilhado por todos os indivíduos iluminados em comum e igualmente.  O hesicasmo é uma condenação direta do papismo” (Livro St. Gregory and the Pope of Rome: From na Orthodox Tradition Q&A, vol. XIII, no.2. “Hesychasm is a direct condemnation of Papism)

O “Santo” Herege basicamente tira da Hierarquia a função do ensino. A fonte da doutrina correta não viria da Igreja e do seu Magistério dado por Jesus Cristo, mas da “transformação espiritual” advinda do método hesicasta. Isso é muito similar a doutrina perenialista que retira Igreja e seu Magistério o título de defensores e propagadores das únicas doutrinas corretas necessárias para nossa Salvação , sendo a fonte da Doutrina verdadeira a intuição e um contato místico com a “divindade”. Esse texto, além de mostrar o lado anticatólico de Palamas, também mostra a clara conexão entre a doutrina “ortodoxa” e a perenialista. A “ortodoxia”, por ter os métodos de oração hesicasta, seria, entre as religiões exotéricas, aquela que mais se aproxima do saber perene. Talvez seja por isso que perenialistas claros como Luiz Gonzaga de Carvalho – filho de Olavo de Carvalho – e Lee Penn – autor do Livro False Dawn – mostrem-se tão apegados à religião e à espiritualidade “ortodoxa”. Mesmo Olavo começou sua infiltração entre os “ortodoxos” para depois vir até os católicos. “Ortodoxia” e perenialismo andam de mãos dadas, bem diferente do que nosso amigo Jay quis passar.

Segundo, é valido destacar que a própria visão dos cismáticos sobre o Filioque leva-os até esse esoterismo. Vamos repetir o dito de Santo Tomás:

“Com o que também está de acordo a razão da processão de um e outro. Pois, já dissemos que o Filho, como Verbo, procede a modo de intelecto; porém, o Espírito Santo a modo de vontade, como Amor. Ora, necessariamente, do verbo procede o amor. Pois não amamos senão a quem apreendemos pela concepção mental. Por onde, desta maneira, é manifesto que o Espírito Santo procede do Filho” (I Sent., dist. XI, a. 1; IV Cont. Gent., cap. XXIV, XXV; De port., q. 10, a. 4, 5; Contra errores Graec., parte II, cap. XXVII usque ad XXXII; Compend. Theol., cap. XLIX; Contra Graecos, Armenos etc., cap. IV; in Ioan., cap. XV, lect. VI; cap. XVI, lect IV).

Santo Tomás mostra que na sequência lógica das processões há uma clara demonstração da necessidade da inteligência para mover a vontade. No homem, a inteligência é a maior de todas as potências, pois ela é a única potência que pode se auto regular. Eu posso cheirar o ato de cheirar ou ouvir o ato de ouvir? Não, mas posso pensar sobre o ato de pensar. Eu posso também querer ou querer (amar o amar que seria um ato da vontade), mas só posso amar algo que conheço; logo, preciso da inteligência. Esse é um ponto essencial, pois como a inteligência move a vontade, a Fé torna-se algo racional e não uma mera manifestação de uma vontade ou de um sentimento interno irracional. Os modernistas colocavam a vontade na frente da inteligência e isso gerou sua noção da “imanência vital” denunciada por São Pio X na Pascendi.

“O sentimento religioso, que por imanência vital surge dos esconderijos da subconsciência é, pois, o gérmen de toda a religião e a razão de tudo o que tem havido e haverá ainda em qualquer religião” (São Pio X, Pascendi)

Com isso os Dogmas e doutrinas seriam só “manifestações do sentimento religioso” que poderiam ser revistos. Os Perenialistas, similar aos modernistas, também negam o predomínio da razão, valorizando mais a intuição e contato com a “divindade”, tudo derivado de uma noção errada sobre a inteligência. Para os Perenialistas, os Dogmas e a Doutrina são meras discussões filosóficas que escondem a verdadeira religião perene. O que isso tem a ver com os cismáticos? Vários cismáticos – seguindo ao extremo a posição Fociana – negam a Relação eterna entre o Filho e o Espírito Santo. O apologista ortodoxo oriental Cirilo Quattrone reflete essa visão quando escreve (ênfase dele):

“… enquanto alguns eruditos” ortodoxos “jorraram com a ideia de admitir algum tipo de papel mediador para o Filho na processão do Espírito Santo, isto NÃO É O ENSINO DA IGREJA ORTODOXA ANTIGA, SANTA, CATÓLICA E APOSTÓLICA GREGA. O Espírito Santo procede apenas do Pai. Creio que foi St. Irineu quem falou do Espírito Santo como o braço direito e esquerdo de Deus Pai. Embora a analogia não possa ser empurrada até muito longe, ilustra a falta de qualquer papel do Filho na processão pré-eterna do Espírito Santo”.

E:

“Nós consideramos que o Espírito procede apenas do Pai. Ao contrário da teologia romana, que ensina que a processão do Espírito seria impossível se o Filho não existisse, nós ensinamos que a processão do Espírito é somente do Pai. Mesmo que o Filho não existisse, humanamente falando, o Espírito Santo ainda existiria”

Qual é a implicação disso? A ordem lógica entre inteligência e vontade é perdida e temos uma super valorização da “experiência religiosa” em detrimento da Razão. A Fé deixa de ser algo racional e torna-se um reles misticismo irracional. Nas Palavras do Renomado pensador cismático Vladimir Lossky:

“O ‘apofatismo’ é expressão de uma atitude de fundo que faz da teologia em geral uma contemplação dos mistérios da Revelação e não um ramo da teologia, um capítulo, uma introdução inevitável sobre a incognoscibilidade de Deus, depois da qual passa-se tranquilamente à razão humana, à filo comum. O ‘apofatismo’ nos ensina a ver nos dogmas da Igreja antes de mais nada um sentido negativo, um veto a que nosso pensamento siga os seus caminhos naturais e forme conceitos que substituiriam as realidades espirituais. O cristianismo não é a escola filosófica que especula com conceitos abstratos, mas é antes de mais nada uma comunhão com Deus vivo. Foi por essa razão que os Padres da Tradição, fiéis ao princípio apofático da teologia, apesar de toda a sua cultura filosófica e suas inclinações naturais para a especulação, souberam conter o seu pensamento no umbral do mistério, não substituindo Deus por ídolos de Deus” (Vladimir Lossky, Teologia Mística…, p. 39)

Ora, isso novamente se encaixa perfeitamente na doutrina perenialista.

Terceiro, a negação do Filioque implica uma destruição da importância da Natureza Humana como mostra o católico James Larson:

“Dissolver Cristo: O Efeito Real da Negação do Filioque

Negando uma essência conhecível em Deus, parece inevitável que a teologia e a filosofia ortodoxas orientais sejam corrosivas para a natureza humana. Se conceitos como verdade, amor e bondade não são aplicáveis à Essência de Deus, faz sentido que sua eterna veracidade e aplicabilidade à condição humana também devam ser corroídas. Como a essência de Deus deve desaparecer por trás de uma teologia apofática (negativa), o ser humano é envolvido por uma antropologia escatológica que é a negação de tudo o que associamos ao ser humano. Vladimir Losskey escreve:

‘Este é o aperfeiçoamento da oração, e é chamado de oração espiritual ou contemplação … É o ‘silêncio espiritual’ que está acima da oração. É esse estado que pertence ao reino dos Céus. ‘Como os santos do mundo vindouro não ore mais, suas mentes tendo sido tragadas pelo Espírito Divino, mas habitam em êxtase nessa excelente glória; assim, a mente, quando for digna de perceber a bem-aventurança da era futura, esquecerá a si mesma e tudo o que é aqui, e não será mais movido pelo pensamento de nada.’ (Teologia Mística da Igreja Oriental, p. 208)

Tal descrição da realização humana soa mais como o estado do Nirvana, ou o estado Vedântico de autorrealização, do que a união com um Deus Pessoal. Ainda mais explicitamente “oriental” é a descrição da bem-aventurança oferecida por Dionysisus, o pseudo-areopagita que, ao lado de Gregory Palamas, é o escritor mais importante dessa tradição oriental:

‘Mas essas coisas não devem ser divulgadas aos não iniciados, por quem eu quero dizer aqueles apegados aos objetos do pensamento humano, e que acreditam que não há realidade superessencial além, e que imaginam que por seu próprio entendimento eles conhecem Aquele que fez Escuridão Seu lugar secreto. E se os princípios dos mistérios divinos estão além da compreensão destes, o que se pode dizer de outros ainda mais incapazes deles, que descrevem a Primeira Causa transcendental de tudo por características extraídas da ordem mais baixa dos seres, enquanto negam que Ele está de qualquer maneira acima das imagens que eles formam após vários desenhos; considerando que eles deveriam afirmar que, embora Ele possua todos os atributos positivos do universo (sendo a Causa Universal), ainda assim, em um sentido mais estrito, ele não os possui, pois transcende todos eles; portanto, não há contradição entre as afirmações e as negações, na medida em que Ele precede infinitamente todas as concepções de privação, estando além de todas as distinções positivas e negativas … somente os que ultrapassam tudo o que é puro ou impuro e ascendem acima das altitudes mais elevadas das coisas sagradas, e que, deixando para trás toda luz divina, som e expressão celestial, mergulham nas trevas onde verdadeiramente habita, como declaram os Oráculos, que Aquele que está além de tudo. ” (Dionísio, o Areopagita, Teologia Mística) Ele é super-essencialmente exaltado acima das coisas criadas, e Se revela em Sua Verdade nua àqueles que passam além de tudo o que é puro ou impuro, e ascendem acima das altitudes mais elevadas das coisas sagradas, e que, deixando para trás toda luz divina e sons e declarações celestiais, mergulhe nas Trevas, onde verdadeiramente habita, como declaram os Oráculos, aquele que está além de todos.’ (Dionísio, o Areopagita, Teologia Mística).

Ele é super-essencialmente exaltado acima das coisas criadas, e Se revela em Sua Verdade nua àqueles que passam além de tudo o que é puro ou impuro, e ascendem acima das altitudes mais elevadas das coisas sagradas, e que, deixando para trás toda luz divina e sons e declarações celestiais, mergulhe nas Trevas, onde verdadeiramente habita, como declaram os Oráculos, aquele que está além de todos. ” (Dionísio, o Areopagita, Teologia Mística)

Tal visão de Deus e do destino final do homem destrói os fundamentos de tudo o que consideramos sólido e de valor absoluto nesta vida. Mina a própria base de todo pensamento humano. Se Deus está além da lei da contradição, além de todas as distinções positivas e negativas, além da pureza, e se Ele habita em uma Escuridão além de todas, então todas as nossas crenças e esforços no caminho para esse niilismo divino são privados da legitimidade e significado finais.

Considerando essa desvalorização de tudo o que é humano, que é parte integrante da espiritualidade ortodoxa oriental, não surpreende que a humanidade de Cristo também seja desvalorizada. Vladimir Losskey escreve:

‘O culto da humanidade de Cristo é estranho à tradição oriental…O caminho da imitação de Cristo nunca é praticado na vida espiritual da Igreja Oriental.’ (Ibid, p. 243).

A Ortodoxia Oriental não nega a importância da humanidade de Cristo no sacrifício salvífico de Jesus na cruz. Em outras palavras, a Humanidade de Cristo é parte integrante de sua visão do ato da Redenção. Por outro lado, desvaloriza profundamente a centralidade da Humanidade Sagrada de Cristo no processo de nossa santificação e deificação. Esse “desvio” da humanidade de Cristo está intimamente relacionado à negação do Filioque – a doutrina católica de que o Espírito Santo é enviado pelo Pai e pelo Filho (Latim: Filioque).

Na visão católica, o Espírito Santo é enviado pelo Pai e pelo Filho, a fim de nos permitir imitar a Cristo em Seu nascimento, vida, paixão, morte e ressurreição. O Caminho da nossa humanidade é o Caminho da Humanidade de Cristo, realizando nossa salvação imitando a Cristo através do poder do Espírito Santo. O Espírito Santo é, portanto, em um sentido espiritual verdadeiramente “encarnado”: enviado pelo Deus-Homem Jesus Cristo, a fim de nos formar à semelhança do Homem-Deus Jesus Cristo. O Filioque é, portanto, absolutamente essencial para esta obra encarnacional do Espírito Santo.

É o contrário com os ortodoxos orientais. A negação do Filioque permite que o Espírito Santo seja “libertado” dessa conexão com a Humanidade Sagrada de Cristo, para que Ele possa se tornar o que alguns escritores ortodoxos têm sido tão ousados a ponto de chamar a “Alma do Mundo”. O Espírito Santo, tendo sido libertado da necessidade de trabalhar através da Humanidade de Cristo, torna-se assim a fonte daquelas Energias Divinas que estão em criação desde o princípio, e é o objeto e a fonte de nossa comunicação, santificação e deificação divinas.

Os escritores ortodoxos orientais estão, portanto, certos ao afirmar que a rejeição do Filioque é o eixo em torno do qual giram todas as diferenças significativas entre a teologia e a espiritualidade do rito oriental e latino. Por fim, ao aceitar o fato salvífico da Encarnação, ela rejeita ou ignora seu significado em relação à nossa salvação e deificação. O Espírito Santo, enviado por Cristo para nos formar à Sua semelhança, é desviado pela teologia dionisíaca-palamita para um tipo de esoterismo gnóstico-panteísta. E no final deste caminho de gnose ascendente, também descobrimos que nossa própria humanidade também foi ignorada. Ali, neste Céu da Ortodoxia, não encontramos nenhuma personalidade como a conhecemos, nem amor, nem pensamento, nem verdade, nem pureza e nem oração, mas apenas uma escuridão divina além de todo ser, essência e nome. Em outras palavras: a negação de tudo o que agora consideramos humano. Com um céu como esse, quem precisa de um inferno?” (James Larson, And Never The Twain Should Meet- The Orthodox-Catholic Divide)

Talvez por isso os cismáticos defendam o divórcio no matrimônio. Tamanho é esse desprezo pela ordem natural que a via ordinária natural de Santificação – o matrimônio – é tratado como algo secundário. Isso é típico de esquemas gnósticos e, de novo, é típico de perenialistas.

Portanto, caro Jay e outros cismáticos, antes de acusarem a Igreja de algo, olhem para si mesmos. O maior favorecedor do esoterismo e um dos piores erros da Rússia espalhados pelo mundo é a teologia cismática oriental.

Blog de onde tiramos alguns argumentos: https://raphaelmarie.wordpress.com

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