Criticando o “establishment neo-con”, mais um Arcebispo pede “a restauração” da “Missa de Sempre”

Após ler um artigo do tradicionalista americano Peter Kwasniewski sobre os problemas do Novus Ordo Missae, o Arcebispo de Polymartium, Thomas Edward Gullickson, de 69 anos, núncio papal da Suíça e Liechtenstein, escreveu um pequeno texto em seu blog pessoal criticando os argumentos do que ele chamou de “establishment neo-con” contra a defesa da restauração da Missa Tridentina.

Após criticar alguns pontos da Missa Nova (como a forma como as pessoas comungam, etc), o bispo revelou seu desejo de poder um dia celebrar apenas a missa tradicional:

“A recuperação do Vetus Ordo com todas as suas complexidades, seu latim, seus silêncios, sua ordenação absoluta é a maneira mais adequada para inspirar a verdadeira devoção. Eu só queria poder sempre celebrar dessa maneira. Vivemos na esperança!” (Dom Thomas Gullickson, Apostolic Zeal and Contemplation, parágrafo 6).

E completou chamando a Missa Tridentina de “a Missa de Todos os Tempos”:

Eu gostaria de ver em uma reforma, recuperação ou restauração, voltando ao terreno sólido da Missa de Todos os Tempos, aquele canteiro inelutável e necessário para a proclamação do Evangelho a partir do enraizamento de uma vida não tão oculta em Cristo como imersa nele.” (Dom Thomas Gullickson, Apostolic Zeal and Contemplation, parágrafo 8).

O termo “Missa de Sempre” ou “Missa de Todos os Tempos” é famoso no meio tradicionalista e detestado no meio neoconservador (i.e. “Hermeneutas da continuidade”), que defendem a manutenção tanto da Missa Nova quanto das novas doutrinas aprovadas pelo Concílio (ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade). Seu uso indica um afastamento do último grupo, enfraquecido desde a renúncia de Bento XVI.

Tais declarações do Arcebispo nos fazem lembrar que já não se pode mais negar que desde o início do pontificado do Papa Francisco, houve um aumento considerável no número de bispos que passaram a reivindicar as posições tradicionalistas (associadas principalmente ao trabalho de Dom Lefebvre e Dom Mayer). Em primeiro lugar tivemos o cardeal Burke, que rejeitou abertamente a nova doutrina da Nostra Aetate acerca dos mulçumanos como errônea e “não dogmática”. Para ele, a Reforma Litúrgica de Paulo VI foi em muitos pontos “imprudente”, “radical” e “violenta”, tendo “praticamente diminuído ao menor grau possível” a “natureza teocêntrica da Liturgia”. Depois foi a vez de Dom Athanasius Schneider, bispo de Astana (Cazaquistão) que em seu novo livro Christus vincit, não só rejeitou o ensino sobre liberdade religiosa da Dignitatis Humanae, como também defendeu a FSSPX e criticou severamente o Missal de Paulo VI. Posteriormente, o Arcebispo americano Dom Carlo Maria Viganò, ex-núncio apostólico dos Estados Unidos, ressaltou a descontinuidade e os erros de muitos documentos do Magistério Conciliar, especialmente a Dignitatis Humanae e a Nostra Aetate, chamando em uma de suas homilias o Novus Ordo Missae de “desastre conciliar” e reconhecendo que nas últimas décadas “o Sacrifício Eucarístico se protestantizou e se transformou em um banquete de convívio”, outra possível referência ao missal sexto-Paulino (ou à sua aplicação concreta). Dom Vitus Huonder, por sua vez, pediu para o Papa Francisco para passar sua aposentadoria nas dependências da Fraternidade de São Pio X. Todas essas falas e ações tem um caráter certamente simbólico e podem indicar o início da restauração do catolicismo através de seu episcopado.

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