Em 2016, Papa Francisco assinou declaração que abriu mão do retorno dos cismáticos orientais ao catolicismo

No dia 12 de fevereiro de 2016, durante o encontro entre o papa Francisco e Cirilo, Patriarca cismático da Rússia, foi composta a chamada “Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia“, assinada por ambas as partes. Este documento oficialmente abriu mão do ensino católico tradicional de que os cismáticos devem retornar a unidade católica para poder se salvar:

“Esperamos que o nosso encontro possa contribuir também para a reconciliação, onde existirem tensões entre greco-católicos e ortodoxos. Hoje, é claro que o método do «uniatismo» do passado, entendido como a união duma comunidade à outra separando-a da sua Igreja, não é uma forma que permita restabelecer a unidade. Contudo, as comunidades eclesiais surgidas nestas circunstâncias históricas têm o direito de existir e de empreender tudo o que é necessário para satisfazer as exigências espirituais dos seus fiéis, procurando ao mesmo tempo viver em paz com os seus vizinhos. Ortodoxos e greco-católicos precisam de reconciliar-se e encontrar formas mutuamente aceitáveis de convivência.” (Declaração comum do Papa Francisco e do Patriarca Kirill de Moscovo e de toda a Rússia, item 25)

Este documento evidencia que o conceito de “unidade” adotado pelo ecumenismo é distinto do conceito católico tradicional ensinado pelo Magistério constante da Igreja. No ensinamento tradicional, a Igreja Católica já possui a unidade pela qual Cristo rezou (cf. Pio XI, Mortalium Animos, 9; “Credo in unam, sanctam, catholicam, et apostolica ecclesiae”), motivo pelo qual os dissidentes devem retornar a essa mesma unidade se desejam se salvar (cf. Pio XI, Mortalium Animos, 16). No ecumenismo, por outro lado, se confessa que a unidade cristã foi perdida por culpa dos homens de ambas as partes e que esta unidade perdida precisa ser restaurada para que se cumpra a oração de Cristo “para que todos sejam um” (cf. Paulo VI, Unitatis Redintegratio, 1-11). Essa nova “unidade ecumênica” que precisa ser restaurada, como mostra o documento assinado pelo Papa Francisco, já não requer mais o retorno dos dissidentes a única Igreja verdadeira.

Em outra ocasião, o Papa Francisco ainda disse que quem tenta converter os “ortodoxos” [sic], comete um “pecado muito grave”:

“E agora uma coisa final … o problema do ecumenismo. Nunca lute! Que os teólogos estudem as realidades abstratas da teologia. Mas o que devo fazer com um amigo, um vizinho, uma pessoa ortodoxa? Esteja aberto, seja um amigo. “Mas devo me esforçar para convertê-lo?” Há um pecado muito grave contra o ecumenismo: o proselitismo. Nunca devemos proselitizar os ortodoxos! Eles são nossos irmãos e irmãs, discípulos de Jesus Cristo. ” (Papa Francisco, Address of the Holy Father, Church of the Assumption of the Blessed Virgin Mary – Tbilisi, October 1, 2016)

Sua posição é a mesma acerca de mulçumanos e judeus. O Novo Testamento, por outro lado, nos narra que São Paulo “todo sábado, discutia na sinagoga e se esforçava por convencer judeus e gregos” (Atos 18,4). E no decorrer do Novo Testamento, vemos descrever uma e outra vez os esforços que ele ativamente dedicava para obter conversões. São Pedro, o primeiro Papa, em sua primeira grande pregação, convidou à conversão todos os seus ouvintes: “Pedro lhes respondeu: “Convertei-vos e que cada um de vós se faça batizar no nome de Jesus Cristo, para a remissão dos vossos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2,38). Pecou ele gravemente contra o ecumenismo? E também o Papa Bento XIV, que exortava: “Em primeiro lugar, o missionário que está a tentar com a ajuda de Deus trazer à unidade os cismáticos gregos e orientais, deve concentrar os seus esforços no único objetivo de livrá-los de doutrinas em desacordo com a fé católica…. Porque a única missão confiada ao missionário é a de atrair o oriental à fé católica” (Papa Bento XIV, Allatae sunt, 19, 26 de Julho de 1755)

E para quem acha que apenas o Papa Francisco “foi longe demais” e exclui os demais Papas pós-conciliares, é válido ressaltar que durante o pontificado de João Paulo II foi aprovado pelo Vaticano uma declaração parecidíssima com essa. Tratava-se da “Declaração de Balamand“, que repudiava abertamente o retorno dos cismáticos à Igreja Católica:

10: “A situação assim criada resultou na criação de tensões e oposições. Progressivamente, nas décadas que se seguiram a essas uniões, a actividade missionária tendeu a incluir entre as suas prioridades o esforço de converter os outros cristãos, individualmente ou em grupos, a fim de ‘trazê-los de volta‘ à sua própria Igreja. Para legitimar esta tendência, nascida do proselitismo, a Igreja Católica desenvolveu a visão teológica segundo a qual ela apresenta-se a si mesma como a única à qual a salvação foi confiada. Como reacção, a Igreja Ortodoxa, por sua vez, chegou a aceitar a mesma visão segundo a qual só nela se poderia encontrar a salvação…”

14-15: “… De acordo com as palavras do Papa João Paulo II, o esforço ecuménico das Igrejas irmãs do Oriente e do Ocidente, baseado no diálogo e na oração, é a busca da perfeita e total comunhão que não é nem absorção nem fusão, mas um encontro na verdade e no amor (cfr. Slavorum Apostoli, 27). 15. Enquanto que a inviolável liberdade das pessoas e a sua obrigação de cumprir os ditames da sua própria consciência permanece assegurada, na busca do restabelecimento da unidade não se procura a conversão de pessoas de uma Igreja para a outra a fim de assegurar a sua salvação.”

22. A actividade pastoral na Igreja Católica, tanto latina como oriental, já não aspira a que os fiéis passem de uma religião para a outra; isto é, já não se pretende fazer proselitismo entre os ortodoxos. Ela tem como objectivo dar resposta às necessidades espirituais dos seus próprios fiéis e não tem pretensão alguma de se expandir às custas da Igreja Ortodoxa.”

30. “Para abrir o caminho às futuras relações entre as duas Igrejas, indo além de uma eclesiologia obsoleta de retorno à Igreja Católica relacionada com o problema que é o objecto deste documento, se prestará especial atenção à formação de futuros sacerdotes e de todos aqueles que, de alguma maneira, estão envolvidos numa actividade apostólica levada a cabo num lugar onde a outra Igreja tem tradicionalmente suas raízes. A sua formação deve ser objectivamente positiva no respeito pela outra Igreja.” (Declaração de Balamand, 10)

A declaração, aprovada durante o pontificado de Papa João Paulo II, contraria expressamente o ensino precedente do Magistério Universal da Igreja (que é tão infalível quanto o Magistério Extraordinário segundo o Concílio Vaticano I). O Papa Pio XI, por exemplo, exortava:

“Não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela.” (Pio XI, Mortalium Animos, 16)

Dom Lefebvre, Dom Mayer, Dom Athanasius, Dom Viganò estavam e estão certos. Os documentos do Concílio Vaticano II e dos Papas pós-conciliares precisam ser corrigidos. Que a Virgem Maria nos proteja.

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