Multiverso? Viagem no tempo? Qual a opinião da Igreja sobre isso?

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Esse é mais um de uma série de textos, que incluem os de evolucionismo, que estamos fazendo sobre ciência e pseudociência  à luz do Magistério da Igreja. Nesse texto, abordaremos como um católico deve se posicionar diante dos atuais delírios da “ciência” Moderna: o Multiverso e a viagem temporal.

Qualquer leitor deve ter se deparado com algum filme de ficção científica ou com algum desenho animado que aborda os temas do multiverso e da viagem no tempo. Em várias mídias, esses tópicos são apresentados de forma quase natural, como se fosse algo possível e comum, divergindo em alguns aspectos como a forma de abordagem e as consequências tiradas deles. Porém, o que muitos leitores podem nem imaginar é que existem físicos renomados que defendem esse tipo de coisa… Vamos citar como exemplo o físico Stephen Hawking, descrito como um dos maiores físicos dos últimos tempos, que descreve o seguinte delírio:

 

“O perfeito ajustamento das leis da natureza podem ser explicadas pela existência de de múltiplos universos (…) o conceito de múltiplos universos pode explicar o perfeito ajustamento das leis físicas sem a necessidade de um Criador benevolente que criou o universo para o nosso benefício” – Stephen Hawking, The Grand Design, 2010, Pg. 161-164

“Pode haver uma história em que a lua é feita de queijo roquefort. Mas nós observamos que a lua não é feita de queijo, o que é uma má notícia para os ratos. Por isso histórias nas quais a lua é feita de queijo não contribuem para o estado presente do nosso universo, mas pode contribuir para outros. Isso pode parecer ficção científica, mas não é” – Stephen Hawking, The Grand Design, 2010, Pg. 140

Pode parecer absurdo para um leitor leigo, mas esse tipo de pensamento é bem comum nos ambientes da física moderna, onde os “físicos” beiram o esoterismo na sua tentativa de explicar a realidade. Mas, afinal, o que um católico deve pensar sobre isso?

Necessidade do Tomismo para qualificar algo como científico

 

Nos limitaremos em utilizar a Filosofia de Santo Tomás para responder, mas antes gostaríamos de lembrar aos católicos liberais como a Filosofia do Doutor Angélico é obrigatória e deve ser base para julgar se determinadas especulações são científicas ou não:

Comecemos pelo Papa Pio IX que no Syllabus condena, como herética, a seguinte tese:

“13º O método e os princípios por que os antigos Doutores escolásticos ensinaram a Teologia não convêm às necessidades da nossa época e ao progresso das ciências.”

Epist. Ao Arceb. De Frising “Tuas libenter”, de 21 de Dez. de 1863.

São Pio X condena afirmações semelhantes na Lamentabili:

LXIV: O progresso das Ciências exige que se reformem os conceitos da doutrina cristã sobre Deus, a Criação, a Revelação, a Pessoa do Verbo Encarnado e a Redenção”

 

Em sua encíclica Studiorum Ducem, o papa Pio XI escreve:

 

“Aprovamos com tanto entusiasmo o magnífico tributo de louvor concedido a esse gênio mais divino que consideramos que Tomás deveria ser chamado não apenas de angelical, mas também de médico comum ou universal da Igreja; pois a Igreja adotou sua filosofia para si própria. . ”

 

 

“Novamente, se quisermos evitar os erros que são a fonte de todas as misérias de nosso tempo, o ensino de Tomás de Aquino refuta as teorias propostas pelos modernistas em todas as esferas …” (Pio XI, Studiorum Ducem).

Poderíamos colocar outras citações que demonstram a obrigação da aceitação da Filosofia escolástica por católicos, mas já nos trabalhos sobre os cismáticos e as colocadas acima já são suficiente.

Visão do Aquinate

Santo Tomás, obviamente, não tratou sobre multiverso e viagem no tempo diretamente até por esse tipo de assunto não surgir em sua época, todavia, ao analisar a potência Divina, o Doutor Angélico chega a uma conclusão que serve muito bem para isso.

Na Questão 25: Da Potência divina Tomás analisa as possiblidades da onipotência Divina. Especificamente no artigo 4 denominado como “ Se Deus pode tornar o passado inexistente” ele dá a seguinte resposta:

“O poder de Deus, como disse­mos, não abrange o que implica contradição. Ora, o passado não ter sido implica contradição. Pois, assim como a implica dizer que Sócrates está e não está sentado, assim também que esteve e não esteve sentado. Porque, se dizer que esteve sentado é enunciar um passado, dizer que não o esteve é enunciar o que não se deu. Por onde, não está no poder divino tor­nar inexistente o passado. E é o que diz Agostinho: Quem diz: se Deus é onipotente torne o feito não feito, não vê que diz: se é onipotente torne falso o que em si é verdadeiro. E o Filósofo: Deus só está privado de tornar o feito não feito.” – (IIa IIae, q. 152, a 3, ad 3; I Sent., dist. XLII, q. 2, a. 2; II Cont. Gent., cap. XXV; De Pot., q. 1, a. 3, ad 3; Quodl., V, q. 7, a. 1; VI Ethic., 1ecl. II).

E em outra resposta diz o seguinte:

“Embora Deus possa remover toda corrupção da alma e do corpo da mulher corrupta, todavia, não pode fazer com que não tenha sido corrupta; como também não pode fazer com que um pecador não o tenha sido e que não tivesse perdido a caridade.” – – (IIa IIae, q. 152, a 3, ad 3; I Sent., dist. XLII, q. 2, a. 2; II Cont. Gent., cap. XXV; De Pot., q. 1, a. 3, ad 3; Quodl., V, q. 7, a. 1; VI Ethic., 1ecl. II).

Em suma, o Aquinate afirma que Deus não pode desfazer o que já foi feito porque isso seria o mesmo que ele se contradizer. Uma coisa não pode ser e não ser sob um mesmo aspecto. Se eu me converti ao catolicismo um dia não posso no mesmo instante me converter ao islã. Isso não limita Deus de forma alguma conforme afirma Tomás:

“Deus, pela perfeição do seu poder, pode tudo, mas lhe escapa à po­tência o que não tem natureza de possível. Assim também, se atendermos à imutabilidade do seu poder, Deus pode tudo o que pôde; porém, certas coisas que, antes quando eram factíveis, tinham a natureza de possível, já não a têm quando feitas. E, então dizemos que não as pode, por não poderem elas ser feitas.”

Mudar o que já foi feito seria o mesmo que criar um triângulo redondo ou um quadrado circular, ou seja, uma contradição e Deus não pode se contradizer, pois é perfeitíssimo. Com isso, já mostramos que o conceito de viagem no Tempo e de alteração Temporal são absurdos e um católico não deve defender, pois não se pode mudar o passado e o futuro só pertence a providência Divina e a quem ela quiser revelar não ao homem.

Multiverso em si

Agora e o conceito de multiverso? Sobre mundos paralelos, ou mundos possíveis, só se pode falar deles de duas maneiras: estão interligados ao nosso, ou não. Se estão, fazem parte deste universo, mesmo que através de algum tipo de portal ou túnel, e, portanto, não são verdadeiramente mundos ou universos paralelos como se apresenta na ficção científica. Por outro lado, se não estão interligados ao nosso universo, são figuras da imaginação ou má filosofia, pois não há e não haverá prova empírica da existência deles, logo, não há ciência experimental para tratar disso. Se estão interligados ao nosso Mundo então estão ligados as leis que o regem o que torna impossível haver outro Vigário de Cristo, outra Bíblia, outra revelação ou, até, outro Cristo. Isso seria herético, além de entrar na ilogicidade denunciada pelo Aquinate, contradizendo a revelação e a doutrina da Igreja. Fora que não há evidências empíricas para sequer cogitar essa possibilidade de supostos ” mundos paralelos ” que mais lembram o esoterismo cabalista – o qual bem antes já defendia esse tipo de conto de fadas- do que uma tese científica. O senhor Hawking, no texto que apresentamos, apenas inventou um delírio ao lado de seus companheiros Ateus para negar Realidade por não conseguir explicar questões como o Big Bang inflacionário, o suposto princípio antrópico , a finitude do Universo, a lei da entropia etc – as quais apontam para um Criador. Pretendemos explorar mais desses tópicos em textos futuros.

Conclusão

Os conceitos de multiverso e viagem no tempo são outros delírios da física esotérica atual. Cabe a um católico rechaçá-los e se manter firme a sua Fé sem aderir a novidades. Voltemos ao Tomismo que nos guiará nesse mar nebuloso das ciências modernas.

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