A Igreja Católica condena de fato o evolucionismo?

“O amor pelas novidades está na origem de todos os erros”. Essa frase do Papa São Pio X representa bem o mundo em que vivemos hoje. O mundo moderno é marcado por várias pessoas que, na ânsia de serem aceitos por um grupo, abrem mão de seus princípios e aderem as novidades. Talvez o caso mais marcante seja a “Teoria’’ evolucionista de Charles Darwin. Desde a publicação do seu livro ‘’ A origem das espécies’’ até os dias de hoje o evolucionismo tornou-se hegemônico nos meios acadêmicos. Um simples questionamento da doutrina já lhe confere a acusação de heresiarca e anti ciência. Essa mentalidade, especialmente após o Concílio Vaticano II e os Papados de João Paulo II e Francisco, infelizmente se proliferou nos meios católicos ,especialmente entre os neoconservadores, chegando a alguns afirmarem que os Pais da Igreja defendiam algo similar a visão evolucionista. Mas qual a visão real da Igreja e de seu Magistério sobre o evolucionismo? Abordaremos isso nesse texto e esperamos esclarecer aos católicos devotos que não se rendem as novidades.

O evolucionismo em si

Primeiramente, temos que definir o que é o evolucionismo e o que ele não é. Isso é importante para evitar acusações de que estamos atacando espantalhos comum entre os Darwinistas. Evolucionismo NÃO é “mudança” até porque é lugar comum Filosofia Católica que mudar faz parte dos acidentes e é algo natural entre as espécies. É óbvio que as coisas mudam a nossa volta. Evolucionismo também não é, tampouco, adaptação, pois que as espécies se adaptam também é algo constatado pela ciência e pela Filosofia católica muito antes de Darwin. Também deve-se descartar a noção de que evolucionismo é a genética ou a paleontologia, pois essas foram ciências desenvolvidas por homens crentes em Deus, um dos quais um Monge católico, e que nada tem haver com o conto de Darwin. É válido lembrar que Mendel e sua genética foram rechaçados pelos Darwinistas inicialmente e colocados de lado- tendo sido retomados só anos após a sua morte e num esquema baixo de encaixar sua ciência com a falácia Darwinista- justamente porque sua ciência pregava que as espécies sofriam alterações genéticas dentro do seu pool gênico. Em outras palavras, Para Mendel uma flor pode ficar rosa, verde, com listras até perder algumas pétalas, mas continua sendo uma flor. Isso nos leva a verdadeira definição de evolucionismo que seria: uma espécie virando outra. Não é mutação, recombinação gênica ou fósseis que definem a ideia de Darwin e sim a noção de que uma espécie pode virar outra. Partindo disso, os Darwinistas e os evolucionistas “cristãos” criam suas teorias mirabolantes da origem da vida buscando ou descartar Deus ou suprimi-lo da criação por vezes colocando em xeque a validade histórica de gênesis (algo que provaremos ser herético nesse texto). Mas qual a visão do Magistério sobre isso?

Visão Magisterial sobre o evolucionismo

Mesmo antes da teoria de Darwin o Magistério, os Santos e os Bispos já deixavam claro qual a visão Católica sobre a criação vejamos algumas citações

Papa Pelágio I

 

“Por isso eu confesso que (…) Adão e sua mulher, que não nasceram de outros pais, mas foram criados, um do barro da terra, o outro da costela do homem (…)” – Denzinger 228a. Carta do ano 561 ao Rei Childeberto I

 

IV Concílio de Latrão (1215) confirmado e repetido depois por Paulo VI (ver referência)

 

“Deus do começo do tempo fez tudo simultaneamente (simul) de uma vez só do nada ambas as ordens de criaturas, as espirituais e corporais, isto é, a angélica e a terrestre, e então (deinde) a criatura humana, que compartilha de ambas as ordens, sendo composto de espírito e corpo”- IV Concílio de Latrão (1215): DS 800; cf. DS 3002 e Paulo VI, Credo do Povo de Deus § 8. Denz. 428.

 

 

Concílio Vaticano I

 

Este mesmo verdadeiro Deus, pela sua bondade e pela Onipotente virtude (…) com Seu livre-arbítrio, no início do tempo fez do nada uma e outra criatura, a espiritual e a corporal, isto é, a angélica e a terrena, e então a humana, constituída de espírito e corpo [Conc. Later. IV, c. 1, Firmiter]. (…).

 

  1. Se alguém não professar que o mundo e todas as coisas que nele estão, sejam espirituais, materiais, foram produzidas segundo a sua substância do nada por Deus, ou professar que Deus não criou por vontade livre de qualquer necessidade, mas necessariamente como necessariamente ama a Si mesmo, ou negar que o mundo foi criado para a glória de Deus, seja excomungado – Constituição dogmática Dei Filius, 24 de abril de 1870. Link: https://w2.vatican.va/content/pius-ix/it/documents/constitutio-dogmatica-dei-filius-24-aprilis-1870.html

 

Leão XIII

 

“Recordamos coisas conhecidas de todos e de qual não há dúvida: depois que no sexto dia da criação formou Deus ao homem do barro da terra e infundiu no seu rosto o sopro da vida, quis dar-lhe uma companheira, tirada admiravelmente da costela do mesmo enquanto dormia” – Leão XIII, Encíclica Arcanum Divinae Sapientiae

 

Sínodo dos Bispos de Colônia

 

“Nossos primeiros parentes foram criados imediatamente por Deus. Portanto, declaramos que a opinião daqueles que não temem em afirmar que o ser humano, homem em relação ao seu corpo, emergiu da contínua mudança espontânea da natureza imperfeita até a mais perfeita, está claramente contra a Sagrada Escritura e a Fé” – Acta et decreta Concilii Provinciae Coloniensis (Colinieae, 1862), 30. Citado em Catholicism and Evolution, Michael Chaberek O.P., Ed., Ed.Angelico Press, 2015, pg.73

 

Santo Tomás de Aquino

 

“Alguns entenderam que o corpo do homem foi, primeiro, formado no tempo e, depois, Deus lhe infundiu a alma nele já formado. – Mas é contra a razão da perfeição da primeira instituição das coisas, que Deus tivesse feito o corpo sem a alma ou a alma sem corpo; pois ambos fazem parte da natureza humana. E tal seria ainda mais inconveniente em relação ao corpo, que depende da alma, do que inversamente. – E então, para excluir essa opinião, outros ensinavam que quando se diz: Criou Deus o homem, quer se significar a produção do corpo simultaneamente com a alma; e o que se acrescenta: E inspirou no seu rosto, um sopro de vida, deveria entender-se o Espírito Santo, assim como o Senhor o insuflou nos Apóstolos, conforme o dito: “Recebei o Espírito Santo”. Mas tal exposição fica excluída, como diz Agostinho (De Civ. Dei xiii, 24), pelas palavras da Escritura. Pois ela ao que antes disse acrescenta: “E foi feito o homem uma alma vivente”; o que o Apóstolo (1 Cor 15:45) refere, não à vida espiritual, mas à animal. Logo, por sopro da vida deve entender-se a alma; de modo que quando se diz: “Inspirou no seu rosto um sopro de vida”, é como uma exposição do que se dissera antes; pois a alma é a forma do corpo” – Suma Teológica, Parte 1, Q.91, art.4, resp.3

 

Santo Atanásio

 

“Assim, o primeiro homem que foi chamado em hebraico Adão, conservava no começo, segundo as santas Escrituras, o seu espírito voltado para Deus na mais pura liberdade” – Contra os pagãos, parte I, I, 2.

 

“Com efeito, pela presença do Verbo, a corrupção natural não os teria tocado, como afirma a Sabedoria: ‘Deus criou o homem para a incorruptibilidade e o fez imagem de sua própria eternidade; é por inveja do diabo que a morte entrou no mundo’ Sb 2, 23-24” –  A encarnação do Verbo, cap.I, 5, 2] Contra os pagãos, parte I, I, 2.

 

São Basílio

 

“Mais acima, foi dito que Deus criou; aqui, se descreve como criou. Tomou do pó da terra e plasmou com as próprias mãos. Pensa como foste modelado. Considera a oficina da qual saiu a tua natureza. Deus te tomou nas mãos. Modelado pelas mãos de Deus, não sejas manchado pela malícia, nem alterado pelo pecado. Não caias das mãos de Deus. És um vaso plasmado por Deus, feito por Deus. Glorifica teu criador” – A origem do homem, segunda homilia, 4.[7] A origem do homem, segunda homilia, 4.

Até mesmo Santo Agostinho, usado por alguns evolucionistas desonestos como defensor da evolução, afirma:

 

Santo Agostinho

 

“Entre os animais terrenos ocupa o primeiro lugar o homem, feito por Deus à sua imagem, e feito um só, mas não deixado só, pela razão que assinalei (…). O próprio nascimento da mulher, feito da costela do homem, também nos adverte da grande estima em que deve ter tida a união entre o marido e a mulher (…)” -A cidade de Deus, Livro XII, cap.27.

 

Diante de tantas evidências o evolucionista objetaria “isso é antigo! nenhum deles sabia o que era evolução! não cabe a Igreja falar sobre ciência! o mundo mudou!” mal sabem eles que caem nos anátemas de São Pio X ao Modernismo.

No decreto Lamentabili, o Papa São Pio X condenou as seguintes teses como expressões da heresia e da mentalidade Modernista:

“LVIII: A verdade não é menos imutável do que o homem, pois que evolui com ele, nele e por ele”.

“LXIV: O progresso das Ciências exige que se reformem os conceitos da doutrina cristã sobre Deus, a Criação, a Revelação, a Pessoa do Verbo Encarnado e a Redenção”.

(Note-se que São Pio X condena a idéia modernista da revisão do conceito católico sobre a criação, que os Modernistas desejavam conciliar com a “Ciência” evolucionista).

É válido lembrar que São Pio X ,posteriormente, no Motu Proprio Praestantia Scripturae, afirmou que quem defendesse uma só das teses ditas como erradas na Lamentabili estava excomungado Ipso Facto da Igreja. Esse é o mesmo tipo de excomunhão usado na condenação ao comunismo tão usada pelos neoconservadores. Isso ocorre, pois a tese evolucionista atenta brutalmente contra a criação descrita em gênesis o que nos leva ao tópico seguinte

A Literalidade das Sagradas Escrituras

Poucos católicos sabem disso hoje, mas a Igreja defendeu desde sempre uma interpretação Literal da Bíblia. Essa interpretação Literal não deve ser confundida com a interpretação ao pé da letra delirante dos protestantes que chegam a defender absurdos como a Terra Plana lendo a Bíblia ao pé da letra. O que a Igreja defende é uma interpretação literal que significa seguir o significado que o autor Sagrado quis usar. Então se o autor quis usar de Metáfora( como dizer que Deus pegou Adão com suas mãos) então há metáfora e se ele quis usar o sentido histórico( como é o caso da existência de Adão e Eva e a descrição dos Milagres de Cristo) então há esse sentido sendo que quem nos alerta sobre como interpretar é o Magistério e a tradição constante da Igreja. No geral a Igreja sempre interpreta os fatos da Escrituras como verídicos salvo se são claramente metafóricos o que não é o caso dos Milagres de Cristo muito menos do livro de gênesis como pregam os Modernistas. Vamos a algumas citações

Leão XIII

 

“E, na verdade, fora escritos sob a inspiração do Espírito Santos todos os livros que a Igreja recebeu como sagrados e canônicos, com todas as suas partes; ora é impossível que na inspiração divina haja erro, visto como a mesma inspiração por si só não somente excluí todo o erro, senão também que o excluí tão necessariamente quanto necessariamente repugna que Deus, Verdade Suprema, seja autor de algum erro”- Encíclia Providentissimus Deus, 1893, no.30

 

São Pio X

Condenou as afirmações: “Visto que no depósito da fé se contêm somente as verdades reveladas, não compete a Igreja, sob nenhum respeito, proferir juízo sobre as asserções das ciências humanas”. “A inspiração divina não se estende a toda Sagrada Escritura a ponto de preservar de todo erro todas e cada uma de suas partes”. “O progresso das ciências exige que se reformem os conceitos da doutrina cristã sobre Deus, sobre a Criação, sobre a Revelação, sobre a Pessoa do Verbo Encarnado e sobre a Redenção”- Lamentabili Sane, 1907, números 5, 11, 64.

Destacamos especialmente Pio XII na Humani Generis que abordaremos no próximo tópico:

 

 

Pio XII

 

“E mais, de acordo com a opinião fictícia deles, o senso literal da Sagrada Escritura e sua explicação, cuidadosamente desenvolvida debaixo da vigilância da Igreja por tantos grandes exegetas, deve agora se voltar a uma nova exegese, que eles chamam de simbólica ou espiritual.

 

Tudo mundo vê como alheio tudo isso é aos princípios e normas da interpretação correta fixada por nossos predecessores de feliz memória, Leão XIII na Encíclica Providentissimus Deus, e Bento XV na Encíclica Spiritus Paraclitus, como também Nós mesmos na Encíclica Divino Afflante Spiritu.”- Humani Generis, no.23, no.24, 12 de Agosto de 1950.

Então, as interpretações delirantes Darwinistas de que gênesis é metafórico caem por terra diante do Magistério. Ainda no Papado de São Pio X a Comissão Bíblica emitiu uma sequência de perguntas e respostas sobre como interpretar gênesis que afronta brutalmente a visão evolucionista:

Dúvida 1: Se se apóiam em sólido fundamento os vários sistemas exegéticos que têm cogitado e, com linguajar supostamente científico, proposto excluir o sentido literal dos três primeiros capítulos do livro do Gênesis.

Resposta: Não.

Dúvida 2: Se, não obstante o caráter e a forma histórica do livro do Gênesis, o peculiar nexo dos três primeiros capítulos entre si e com os seguintes capítulos, o constante testemunho das Escrituras tanto do Velho quanto do Novo Testamento, o parecer quase unânime dos Santos Padres e o sentido tradicional que, transmitido já pelo povo de Israel, a Igreja tem mantido, pode ensinar-se que: os três primeiros capítulos do Gênesis contêm, não narrações de coisas realmente sucedidas que respondam à realidade objetiva e a verdade histórica, mas sim fábulas que devem ser tomadas como mitologias ou cosmogonias dos povos antigos, e acomodadas pelo Autor Sagrado à doutrina monoteísta; ou alegorias e símbolos, destituídos de fundamento da realidade objetiva e histórica, propostos para inculcar as verdades religiosas e filosóficas; ou, por fim, lendas, em parte históricas, em parte fictícias, livremente expostas para instrução ou edificação das almas.

Resposta: Não.

Dúvida 3: Se pode pôr-se em dúvida o sentido literal e histórico dos feitos narrados nos mesmos capítulos que tocam aos fundamentos da religião cristã, como são, entre outros, a criação do homem; a formação da primeira mulher do primeiro homem; a unidade da linhagem humana; a felicidade original dos primeiros pais no estado de justiça, integridade e imortalidade; o mandamento, imposto por Deus ao homem, para provar sua obediência; a transgressão, por persuasão do diabo, na espécie da serpente, do mandamento divino; a perda, por nossos primeiros pais, do estado primitivo de inocência, assim como a promessa de um futuro Redentor.

Resposta: Não.

– Pontifícia Comissão Bíblica, 1909. Denzinger, Manual de Credos e Definições.

Como se vê a Igreja sempre deixou claro que a interpretação que devemos ter do livro de gênesis é Literal nada de ‘’ só espiritual e metafórico”. Porém, os Modernistas ainda insistirão e usarão Pio XII como argumento algo totalmente descabido que refutaremos a seguir.

Pio XII, A Humani Generis e a heresia do Evolucionismo “Cristão’’

De nada adianta todos esses textos e argumentos embasados no Magistério, pois os evolucionistas argumentarão que os Papas atuais estão de acordo com a evolução então está tudo bem. Mesmo que eles só tenham se posicionado sobre o tema como doutores privados sem infalibilidade após o concílio e Mesmo que alguns dos Pontífices pós conciliares tenham se retratado como foi o caso de João Paulo II que  na terceira homilia no dia 29 de Janeiro de 1986 chamada “A obra criativa de Deus” em que ele é acusado de propagar tais teorias, repete a constituição Dei Filius do primeiro Concílio do Vaticano que é baseado na afirmação do IV Concílio de Latrão já citado. Isso porque o amor deles por esse conto de fadas supera o Amor pela doutrina da Igreja. Mas os conservadores mais ardilosos argumentarão usando a Humani Generis de Pio XII dizendo que ela deu carta Branca para o Darwinismo. Chega a um ponto de um certo Bispo conservador famoso falar que na Humani Generis de Pio XII permitiu uma leitura simbólica de gênesis que não passaria de mera fábula, mas será mesmo? Analisemos o contexto da Encíclica.

A Encíclica Humani Generis do Papa Pio XII foi publicada em resposta a uma nova linha de teólogos chamada de “nouvelle theologie “que, nada mais eram, que uma nova roupagem da Heresia Modernista. A encíclica não fala nomes diretamente, mas após ela grandes nomes desse movimento como Henri de Lubac e Balthasar foram censurados e colocados em voto de silêncio. Posteriormente, esses mesmos teólogos se tornaram peritos do concílio e cardeais… A encíclica condena especialmente algumas noções modernistas como a não distinção entre a ordem natural e sobrenatural e a não Literalidade ao interpretar as escrituras. Em um certo ponto da encíclica Pio XII fala sobre o Evolucionismo. Destacamos primeiramente a seguinte citação onde o Papa condena a heresia poligenista (que prega que Adão e Eva eram só metáforas dos primeiros pais):

“37. Mas, tratando-se de outra hipótese, isto é, a do poligenismo, os filhos da Igreja não gozam da mesma liberdade, pois os fiéis cristãos não podem abraçar a teoria de que depois de Adão tenha havido na terra verdadeiros homens não procedentes do mesmo protoparente por geração natural, ou, ainda, que Adão signifique o conjunto dos primeiros pais; já que não se vê claro de que modo tal afirmação pode harmonizar-se com o que as fontes da verdade revelada e os documentos do magistério da Igreja ensinam acerca do pecado original, que procede do pecado verdadeiramente cometido por um só Adão e que, transmitindo-se a todos os homens pela geração, é próprio de cada um deles”-  Humani Generis, Agosto de 1950, Pio XII.

Gostaria de perguntar ao Bispo conservador que diz que nessa encíclica a Igreja abriu as portas para o evolucionismo e para uma interpretação simbólica de gênesis o que ele tem a dizer após isso? Será que o Reverendíssimo realmente leu a encíclica ao proferir tais absurdos? E o que dizer da canção nova que até hoje tem presente em seu site uma matéria vergonhosa sobre Adão e Eva na qual defendem abertamente o Poligenismo o mesmo condenado por Pio XII. O Magistério da Igreja só serve para defender o concílio e só existe depois do concílio? E os 2 mil anos de Magistério pré-conciliar? E os 11 anos anteriores ao concílio quando foi publicada a Humani Generis não servem de nada também? Percebemos um verdadeiro “self-service” do Magistério executado por conservadores e Modernistas para manter suas novidades.

Todavia, há sim um texto na Humanis Generis que parece abrir margem para o estudo do evolucionismo no qual Pio XII diz o seguinte:

“36. Por isso o magistério da Igreja não proíbe que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente (pois a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus), segundo o estágio atual das ciências humanas e da sagrada teologia, de modo que as razões de uma e outra opinião, isto é, dos que defendem ou impugnam tal doutrina, sejam ponderadas e julgadas com a devida gravidade, moderação e comedimento, contanto que todos estejam dispostos a obedecer ao ditame da Igreja, a quem Cristo conferiu o encargo de interpretar autenticamente as Sagradas Escrituras e de defender os dogmas da fé. Porém, certas pessoas, ultrapassam com temerária audácia essa liberdade de discussão, agindo como se a própria origem do corpo humano a partir de matéria viva preexistente fosse já certa e absolutamente demonstrada pelos indícios até agora achados e pelos raciocínios neles baseados, e como se nada houvesse nas fontes da revelação que exigisse a máxima moderação e cautela nessa matéria.” – Humani Generis, Agosto de 1950, Pio XII.

Destaca-se do texto que: 1- o Papa em nenhum momento fala do Darwinismo como algo certo se limitando a dizer que é algo que deve ser estudado com prudência; 2- em nenhum momento do texto ele nega a Literalidade de gênesis tanto que logo em sequência condena o Poligenismo;3- Pio XII muito menos nega que Eva veio realmente da costela de Adão, pois O texto do Gênesis é bem explícito: Eva foi tomada de Adão. Foi feita de sua matéria, e não de um ser animal anterior e predecessor do homem. E Pio XII repete esta mesma lição em outra oportunidade: “O auxílio dado por Deus ao primeiro homem procede do homem e é carne de sua carne, formada como companheira, que do homem recebe o seu nome, porque foi tomada do homem” (Pio XII, Alocução à Pontifícia Academia de Ciências, 30 / XI / 1941, Acta Apostolicae Sedis, XXXIII, 506, apud D. Estevão Bettencourt, OSB, Ciência e Fé, Rio de Janeiro, 1958, p. 105); 4- Pio XII deixa claro que cabe ao Magistério da Igreja julgar o que é coerente dentro desse campo científico.

Diante do exposto o leitor deve se perguntar, “mas no texto ele também não fala que a Igreja não proíbe que se trate da teoria evolucionista?’’ Para responder essa questão temos que esclarecer três conceitos que seriam Evolucionismo Darwinista, Evolucionismo Cristão e o que é hoje vulgarmente chamado de Design inteligente.

O Evolucionismo Darwinista prega que a vida surgiu em uma explosão aleatória e ao acaso sem razão nenhuma a qual criou o universo e suas leis. Essas leis, com o passar de milhões de anos, foram criando os Planetas e a matéria orgânica e, partir daí, começaram um processo aleatório e cego de seleção natural excluindo os inaptos e evoluindo os aptos até que por um acaso surgiu o Homo Sapiens. Esse Homo Sapiens acabou desenvolvendo um córtex e um polegar que o permitiram sobrepujar as outras espécies e, após isso, ele criou leis e instituições para controlar o instinto selvagem de seus semelhantes e possibilitar a convivência pacífica. Nessa hipótese as leis morais seriam totalmente arbitrarias e criadas unicamente para permitir que a sociedade se estruturasse sem conflitos.

O Evolucionismo cristão, por outro lado, é a menina dos olhos dos conservadores e modernistas. Ele Prega algo bem semelhante a hipótese evolucionista com a diferença de que Deus realizou a explosão e criou as leis. Após as espécies passarem pela evolução seguindo as leis “Divinas” Deus teria incutido a Alma Racional nos Homo Sapiens criando o Homem propriamente dito. Essa hipótese é herética e contraria o Magistério por alguns fatores: 1- se as Leis Divinas eram universais por que só um casal de ancestrais evoluiu para o homem em um único lugar do mundo? O ideal seria todos os ancestrais do homem que passassem pelo processo de seleção natural como vitoriosos evoluíssem, mas é de Fé, como vimos, que o Poligenismo é uma heresia sendo a posição da Igreja que a vida tenha surgido de um único lugar. Deus aboliu suas leis para os seres humanos? Fica algo forçado e facilmente se cai no Poligenismo; 2- Esse tipo de criação retiraria a ação direta de Deus. Em gênesis é claro que a criação foi obra de um Deus Pessoal que criou as coisas porque quis e as Amou porque quis. Esse tipo de hipótese contraria a narrativa de gênesis que mostra Deus atuando diretamente; 3- Tudo que Deus faz é Bom isso porque ele É o Sumo Bem. Ao criar as coisas ele sempre falava que era Bom e ao final, depois de contemplar toda a obra, Ele diz que o conjunto era ‘’ Muito Bom’’. O que acontece é que, para essa hipótese evolucionistas, Deus teria criado tudo por meio da seleção natural a qual é um processo cruel que elimina os fracos e preservar os fortes. Sabemos que com o Pecado de Adão o Mal entrou no mundo, mas antes disso tudo era ‘’ Muito Bom ‘’ então esse processo cruel e desumano é obra de Bem de Deus? Deus em sua bondade busca preservar os fortes e eliminar os fracos? Isso é quase blasfemo! 4- Todas as formas de pensar a criação por esse método ou passam por Deus não criando Adão do Limo da Terra ou por ele criando as coisas em partes e não instantaneamente ou caem no Poligenismo ou negam a Literalidade de gênesis. Em outras palavras contradizem todo o Magistério da Igreja descrito anteriormente sendo uma Heresia.

O chamado Design inteligente já diverge um pouco disso. Com várias discordâncias internas essa escola prega que Deus criou Adão diretamente por um processo evolutivo. Alguns afirmam que Deus fez Adão evoluir do Limo da Terra até o homem e a evolução seria um meio de criação direta que só foi executado por ação Divina. Isso seria possível? Sim Pio XII permitiu algo semelhante a isso na Humani Generis onde Deus executa a criação de forma Direta por meio da evolução tudo antes de Adão. Claro que para ser coerente Eva teria que ter vindo depois da costela do homem, mas isso em si não é herético. Todavia, isso não significa que esteja certo já que parece uma grande forçação de barra para tentar encaixar evolução na criação além de ser refutado pela teologia e pela filosofia Tomista. É válido ressaltar que época de Pio XII os paleontologistas não tinham descoberto os grandes saltos entre espécies do registro fóssil que demonstravam a incoerência do Darwinismo.

Conclusão

Diante do exposto fica evidente que um católico deve evitar seguir esse conto de fadas evolucionista e parar de querer abraçar as novidades para agradar o mundo moderno. Se estamos com o Mundo é porque traímos Jesus. Preservemos a Doutrina de sempre contra esses erros modernos.02creati

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