Escritor “católico” defende livre exibição de blasfêmia contra Jesus e Maria

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Apresentando-se publicamente como um católico “que recebeu os firmes ensinamentos de um catequista, que vai à missa aos domingos, que fala para os membros de sua paróquia”, o escritor Francisco Razzo defendeu publicamente em seu Twitter a livre exibição pela Netflix do chamado “Especial de Natal Porta dos Fundos 2019: A Primeira Tentação de Cristo”, que retrata Jesus como um homossexual e a Virgem Maria como uma adúltera maconheira. Razzo ficou conhecido pelo seu livro “Contra o aborto” (Record, 2017) e parece sugerir em suas mídias sociais que é defensor da ideia iluminista moderna de uma “liberdade de expressão total e absolutamente sem censuras”, condenada pelo Magistério da Igreja Católica (ver abaixo). Ele também considera que “o socialismo e o marxismo morreram”.

Esse tweet de Razzo está em concordância com outros de seus tweets em que critica aqueles que supostamente defendem “censurar” o erro, tais como o Prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivela, que proibiu há algum tempo atrás a distribuição de um material homoerótico para crianças (e que Razzo também criticou por supostamente favorecer a “censura”):

https://mobile.twitter.com/franciscorazzo/status/1170108427458220033

E em outro lugar:

https://mobile.twitter.com/franciscorazzo/status/1116403863735689216

Ora, tais declarações claramente evocam ao absurdo pensamento iluminista de que o direito de liberdade de expressão e de imprensa são direitos absolutos, motivo pelo qual qualquer tipo de censura deve ser proibida. Este tipo de visão está em clara contradição com o ensinamento bi-milenar da Igreja Católica de que “o erro não tem direito de existir ou de propagar-se livremente”, ensinado, por exemplo, pelo Papa Pio XII:

“O que não corresponde à verdade e à Lei Moral não tem objetivamente nenhum direito de existência, nem de propaganda, nem de ação (Papa Pio XII, Ci riesce, 06 de Dezembro de 1953, in ‘Documents pontificaux’, ano de 1953, p. 616)

E ensina o próprio Papa Gregório XVI sobre o conceito moderno de “liberdade de imprensa”:

“11. Devemos tratar também neste lugar da liberdade de imprensa, nunca condenada suficientemente, se por ela se entende o direito de trazer-se à baila toda espécie de escritos, liberdade que é por muitos desejada e promovida. Horroriza-Nos, Veneráveis Irmãos, o considerar que doutrinas monstruosas, digo melhor, que um sem-número de erros nos assediam, disseminando-se por todas as partes, em inumeráveis livros, folhetos e artigos que, se insignificantes pela sua extensão, não o são certamente pela malícia que encerram, e de todos eles provém a maldição que com profundo pesar vemos espalhar-se por toda a terra. Há, entretanto, oh que dor! quem leve a ousadia a tal requinte, a ponto de afirmar intrepidamente que essa aluvião de erros que se está espalhando por toda parte é compensada por um ou outro livro que, entre tantos erros, se publica para defender a causa da religião. É por toda forma ilícito e condenado por todo direito fazer um mal certo e maior, com pleno conhecimento, só porque há esperança de um pequeno bem que daí resulte. Porventura dirá alguém que se podem e devem espalhar livremente venenos ativos, vendê-los publicamente e dá-los a tomar, porque pode acontecer que, quem os use, não seja arrebatado pela morte?

12. Foi sempre inteiramente distinta a disciplina da Igreja em perseguir a publicação de livros maus, desde o tempo dos Apóstolos, dos quais sabemos terem queimado publicamente muitos deles. Basta ler as leis que a respeito deu o V. Concílio de Latrão e a constituição que ao depois foi dada a público por Leão X, de feliz recordação, para que o que foi inventado para o progresso da fé e a propagação das belas artes não sirva de entrave e obstáculo aos Fiéis em Cristo (Act. Concílio Lateran. V, ses. 10; e Constituição Alexand. VI ‘Inter multiplices’).O mesmo procuraram os Padres de Trento que, para trazer remédio a tanto mal, publicaram um salubérrimo decreto para compor um índice de todos aqueles livros que, por sua má doutrina, deviam ser proibidos (Conc. Trid. sess. 18 e 25). Há que se lutar valentemente, disse Nosso predecessor Clemente XIII, de piedosa memória; há que se lutar com todas as nossas forças, segundo o exige a gravidade do assunto, para exterminar a mortífera praga de tais livros, pois o erro sempre procurará onde se fomentar, enquanto não perecerem no fogo esses instrumentos de maldade (Encíclica ‘Christianae’, 25 nov. 1776, sobre livros proibidos). Da constante solicitude que esta Sé Apostólica sempre revelou em condenar os livros suspeitos e daninhos, arrancando-os às suas mãos, deduzam, portanto, quão falsa, temerária e injuriosa à Santa Sé e fecunda em males gravíssimos para o povo cristão é aquela doutrina que, não contente com rechaçar tal censura de livros como demasiado grave e onerosa, chega até ao cúmulo de afirmar que se opõe aos princípios da reta justiça e que não está na alçada da Igreja decretá-la. (Papa Gregório XVI, Mirari Vos, 11-12)

E também pelo Papa Leão XIII, grande defensor da Doutrina Social da Igreja:

“Nem segundo a justiça, nem segundo a razão o Estado pode ser ateu; ou adoptar uma linha de acção que viria a dar no ateísmo — nomeadamente, tratar todas as religiões (como são chamadas) em pé de igualdade e conceder-lhes indistintamente os mesmos direitos e privilégios. Uma vez, pois, que é necessário professar uma religião no Estado, deve-se professar a única que é verdadeira e que é reconhecida sem dificuldade, especialmente nos Estados católicos, pois os selos da verdade estão, por assim dizer, nela gravados… O homem tem o direito de prudente e livremente propagar no Estado aquilo que é verdadeiro e honroso, a fim de que possa ser do proveito da maior parte possível; mas as opiniões mentirosas, as quais nenhuma doença do espírito supera, e os vícios que corrompem o coração e os costumes devem ser diligentemente reprimidos pela autoridade pública, impedindo assim que se alastrem para ruína do Estado. (Papa Leão XIII, Libertas, 21-23, 20 de Junho de 1888)

O conceito de “liberdade” moderno também é condenado pelo supracitado Papa Leão no parágrafo 28 de sua Immortale Dei.

São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla, resume-nos:

Tolerância mundana não é virtude, mas paixão desordenada pelo respeito humano. Não ‘julgueis’, dizem os ímpios, eu porém vos digo, se em público ouves alguém que blasfema contra Deus, vai a ele, repreende-o com severidade; e se necessário, não duvides em golpeá-lo. Dá-lhe uma bofetada no rosto, fere-lhe a boca, santifica tua mão com a pancada. E se um juiz lhe inquerir, diga-o, se punem gravemente uma ofensa contra um rei (governante), muito mais severamente deve ser punido aquele que insulta o Rei dos Anjos.” (São João Crisóstomo, Homilias sobre as estátuas, I, nº 32)

Nem mesmo a Dignitatis Humanae do Concílio Vaticano II – que é um documento ambíguo e problemático de acordo com os bispos Athanasius Schneider e Carlo Maria Viganò – concorda com Razzo, uma vez que ela estabelece que qualquer tipo de tolerância religiosa na esfera civil deve sujeitar-se aos seus “devidos limites”, não violando “a justa ordem pública” (Concílio Vaticano II, Dignitatis Humanae, 2) e também a paz e a moral pública (cf. ibid, 7).

Sobre a doutrina tradicional do Reinado Social de Nosso Senhor Jesus Cristo, que ensina que os Estados devem também confessar juridicamente os privilégios de Cristo e de sua única Igreja, Razzo escreve: “afirmo que o Reino de Deus é o Verdeiro Reino e, portanto, o fundamento do Estado Laico“. Novamente o supracitado autor distancia-se da doutrina tradicional da Igreja para defender uma tese anatematizada pelos itens 55 e 78 da Syllabus do beato Pio IX. Repetindo o texto de Leão XIII acima:

“Nem segundo a justiça, nem segundo a razão o Estado pode ser ateu; ou adoptar uma linha de acção que viria a dar no ateísmo — nomeadamente, tratar todas as religiões (como são chamadas) em pé de igualdade e conceder-lhes indistintamente os mesmos direitos e privilégios. Uma vez, pois, que é necessário professar uma religião no Estado, deve-se professar a única que é verdadeira e que é reconhecida sem dificuldade, especialmente nos Estados católicos, pois os selos da verdade estão, por assim dizer, nela gravados (Papa Leão XIII, Libertas, 21-23, 20 de Junho de 1888)

E dizemos mais: a doutrina de que os Estados devem ser confessionais e católicos é baseada não apenas pelo magistério autêntico dos Papas mas também pelo infalível Magistério Ordinário Universal da Igreja (já que sempre foi ensinada pelos Papas) e pelo próprio Magistério Extraordinário da Igreja (uma vez que foi ensinada ex cathedra pelo Papa Bonifácio VIII em sua Unam Sanctam). Segue abaixo algumas declarações papais que afirmam o mesmo:

• Encíclica Sicut universitatis (Inocêncio III);
• Bula Unam Sanctam (Bonifácio VIII);
• Constituição Licet iuxta doctrinam (Erros de Marsílio de Pádua e de João de Jandun sobre a constituição da Igreja; João XXII);
• Encíclica Etsi multa luctuosa (Pio IX);
• Encíclica Quanta cura (Pio IX);
• o Syllabus (Pio IX);
• Encíclica Quod Apostolici muneris (Pio IX);
• Encíclica Diuturnum illud (Leão XIII);
• Encíclica Immortale Dei (Leão XIII);
• Encíclica Libertas praestantissimus (Leão XIII);
• Encíclica Sapientiae christianae (Leão XIII);
• Encíclica Annum sacrum (Leão XIII);
• Encíclica Rerum novarum (Leão XIII);
• Encíclica Graves de communi re (Leão XIII);
• Encíclica Vehementer Nos (S. Pio X);
• Encíclica Communium rerum (S. Pio X);
• Encíclica Jucunda sane (S. Pio X);
• Encíclica Pascendi (S. Pio X);
• Motu proprio Sacrorum antistitum (S. Pio X);
• Encíclica Editae saepe Dei (S. Pio X);
• Encíclica E supremi apostolatus (S. Pio X);
• Encíclica Il fermo proposito (S. Pio X);
• Carta sobre a ação social, janeiro de 1907 (S. Pio X);
• Encíclica Ad diem illum (S. Pio X);
• Alocução Gravissimum (S. Pio X);
• Encíclica Notre charge apostolique (S. Pio X);
• Encíclica Ubi arcano (Pio XI);
• Encíclica Quas Primas (Pio XI), a carta magna da Cristandade;
• Encíclica Divini illius magistri (Pio XI);
• Encíclica Quadragesimo anno (Pio XI);
• Encíclica Firmissimam constantiam (Pio XI);
• Encíclica Summi Pontificatus (Pio XII).

Fica assim a pergunta:  do que adiante ser “contra o aborto” e contrariar todo o resto do ensinamento social e político ensinado pela Igreja Católica?

 

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