A consumação do fracasso da hermenêutica da ‘‘continuidade”

hermeneutas

Quando ocorreu o Concílio Vaticano II, diversas pautas ambíguas e contraditórias foram promulgadas nos documentos conciliares. As principais delas versavam sobre novos ensinamentos em questões como ‘‘liberdade religiosa”, ‘‘colegialidade de bispos”, ‘‘ecumenismo” e ‘‘diálogo inter-religioso”. Na época, existiam basicamente três grupos: os modernistas (defensores da heresia condenada por São Pio X), os conservadores (defensores de uma interpretação à luz da Tradição dos textos conciliares) e os tradicionalistas (defensores da Tradição da Igreja Católica tal como foi repassada ao longo dos séculos, infelizmente, era o grupo minoritário).

Como grande parte dos peritos do Concílio eram modernistas (Karl Rahner, Yves Congar, Hans Küng, etc), os documentos ficaram desastrosos, contrariavam explicitamente a doutrina bi-milenar da Igreja e contradiziam o Magistério infalível dos Papas anteriores.

Todos perceberam que aquele Concílio havia sido um mal para a Igreja. Alguns queriam, literalmente, a ruptura com a Tradição (modernistas). Mas outros, de boa vontade, se iludiram pensando que os textos poderiam ser interpretados e que, assim, o problema estaria resolvido (estes eram os hermenêutas). Malabarismos exegéticos começaram a ser feitos na tentativa de justificar os documentos, mas sem sucesso. Os conservadores tiveram um pontificado inteiro para tentar resolver a questão no pontificado de Bento XVI, mas não conseguiram.

Agora, colhem os frutos de sua ineficácia: o atual pontificado parece nem se importar com a correção dos absurdos presentes nos textos conciliares. O Papa Francisco os segue sem crítica alguma. Seu pontificado consegue escandalizar até mesmo os conservadores.

Este é o problema de deixar ao arbítrio do intérprete (no caso, do Papa) o sentido dos contraditórios documentos conciliares. Se o Papa for mais conservador, irá interpretá-los de forma conservadora, mas se for mais ‘‘progressista” irá interpretar de forma mais ‘‘progressista”. Em síntese: a tese da hermenêutica da ‘‘continuidade” não resolve o problema conciliar, pelo contrário, ilude os católicos a pensar que está tudo bem (como se pensava no pontificado de Bento XVI e agora se escandalizam com o de Francisco).

A saída é a correção formal dos erros contidos nos documentos do Concílio Vaticano II (ou, como alguns defendem, a supressão destes). Textos como a Declaração  Dignitatis Humanae, tal como estão,não são compatíveis com a Tradição bi-milenar da Santa Igreja Católica. Desta forma, Papa algum poderia defender princípios do Liberalismo ou que as falsas religiões apresentam ‘‘sementes do verbo”. Não estaria ao arbítrio dos Papas interpretações que contradizem o Magistério anterior.

Enquanto se iludirem com sua posição que nada resolve, continuaremos com o fardo da apostasia proveniente de ‘‘missas inculturadas”, ‘‘atos inter-religiosos”, ‘‘comemorações da Reforma Protestante” e outros absurdos que apenas após o Concílio Vaticano II surgiram na Igreja. O mundo católico perdeu a fé, não se acredita nem mesmo na transubstanciação. Os resultados doutrinários e até mesmo pastorais do Concílio são o maior fracasso da história da Igreja.

Como disse a socióloga Marcia Oliveira (que participa do Sínodo da Amazônia) numa entrevista para um jornal português e para o jornal de esquerda El País: “A Igreja perdeu em 30 anos metade do que foi conquistado em 500 anos de evangelização”. Acordem, enquanto há tempo.

A única coisa boa do desastroso Sínodo da Amazônia é que, ao menos, os bispos e cardeais que antes defendiam este malabarismo exegético estão vendo que não se resolve nada com esta posição morna. É necessário uma posição concreta.

Interpretações forçadas não resolvem absolutamente nada.

Conservadores, retornem à Tradição.

 

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