Bispo de Astana afirma que Missa Nova apresenta “cinco feridas ao corpo místico de Cristo”

Conhecido por celebrar a Missa Tradicional, Dom Athanasius Schneider, bispo de Astana (Cazaquistão), é crítico de vários pontos da Reforma Litúrgica do Papa Paulo VI, assim como de itens posteriormente autorizados oficialmente pelo Vaticano no pontificado do Papa João Paulo II.

 

No artigo em que comenta sobre as mudanças litúrgicas oriundas do pós-Concílio, o bispo de Astana enumera como “as cinco feridas no corpo místico de Cristo”, as seguintes práticas litúrgicas autorizadas pelos Papas conciliares e pós-conciliares:

1) A celebração do sacrifício da Missa versus populum;

2) A permissão da comunhão na mão;

3) As novas orações do ofertório introduzidas por Paulo VI;

4) O desaparecimento do latim na missa;

5) Mulheres servindo no altar como “acólitos”, leitoras e “ministras” da Comunhão.

 

Segundo Dom Athanasius:

 

“A terceira ferida [ao corpo místico de Cristo] são as novas orações do ofertório. Eles são uma criação inteiramente nova e nunca foram usados na Igreja. Elas fazem expressar menos o mistério do sacrifício da cruz do que [a ideia de] uma Ceia; assim, elas lembram as orações da refeição do sábado judaico. Na tradição de mais de mil anos da Igreja, tanto no Oriente quanto no Ocidente, as orações do Ofertório sempre foram expressamente orientadas para o mistério do sacrifício da Cruz (ver, por exemplo, Paul Tirot, Histoire des Prières d’offertoire dans la liturgie romaine du VIIème au XVIème siècle [Roma, 1985]). Não há dúvida de que uma criação absolutamente nova contradiz a clara formulação do Vaticano II que afirma: “Innovationes ne fiant… novae formae ex formis iam exstantibus organice crescant” (Sacrosanctum Concilium, 23).”

 

(Dom Athanasius Schneider, artigo sobre as Mudanças na Liturgia)

 

Tal crítica à Novus Ordo de Paulo VI é conhecida nos meios tradicionalistas – que sempre criticaram o novo missal por enfatizar mais a ideia da “ceia” protestante que a do “sacrifício” católico e por desproporcionalmente utilizar mais a palavra “sacrifício” em seus textos para designar meramente um “sacrifício espiritual de oração e louvor”, como também fazem os luteranos, do que um sacrifício verdadeiro e propiciatório. Assim também ressoa a “Declaração de verdades” que Dom Athanasius Schneider escreveu em conjunto com os demais bispos e cardeais:

 

“Na Santa Missa é oferecido à Santíssima Trindade um sacrifício verdadeiro e próprio, e este sacrifício tem um valor propiciatório tanto para os homens que vivem na terra como para as almas do purgatório. É, portanto, errada a opinião segundo a qual o Sacrifício da Missa consistiria simplesmente no facto de o povo oferecer um sacrifício espiritual de oração e louvor, assim como a opinião que a Missa pode ou deve definir-se somente como a entrega que Cristo faz de Si mesmo aos fiéis como alimento espiritual para eles (cf. Concílio de Trento, sessão 22, c. 2).”

 

(Declaração de verdades relacionadas com alguns dos erros mais comuns na vida da Igreja de nosso tempo, item 32)

De fato, a Missa Nova de Paulo VI foi feita com um intuito claramente de agradar aos protestantes. Em março de 1965, o Osservatore Romano divulgou uma entrevista em que Monsenhor Aniballe Bugnini, o bispo responsável pela Reforma da Missa, afirmava: “Desejo eliminar [do futuro Rito em elaboração] cada pedra que pudesse se tornar ainda que só uma sombra de possibilidade de obstáculo ou de desagrado aos irmãos separados” (L’Osservatore Romano, de 11 de março de 1965; Doc. Cath. Nº 1445, de 4/4/1965, coll. 603-6040). 

Eis a Missa que se tornou – segundo a terminologia de Bento XVI – a forma “ordinária” do Rito Romano, substituindo assim a chamada “Missa de Sempre” ou “Missa Tridentina”, cuja confissão da Fé Católica era claríssima.

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