A mais antiga imagem da assunção da Virgem Maria

A MAIS ANTIGA IMAGEM DA ASSUNÇÃO DA VIRGEM

O “Sarcófago de Saragoça” é o achado arqueológico com a representação mais antiga que se tem registro da Assunção da Virgem na arte cristã, tendo sido esculpido por volta do ano 330. Perceba a «Mão» vinda do ‘céu’ para ‘puxar’ a Santíssima Virgem para os ares.

A Igreja Católica sempre confessou a doutrina da Assunção da Virgem ao longo dos séculos. Em primeiro lugar, o próprio Apóstolo São João fez referência a ela quando afirmou que, no final de sua vida, Deus levou a Santíssima Virgem para “onde Deus lhe tinha preparado um lugar” (cf. Ap 12:6). Ora, na literatura joanina a frase “preparar um lugar” (ἑτοιμάσαι τόπον) tem raízes profundamente escatológicas, uma vez que é um termo-chave no Evangelho Joanino para se referir ao destino dos justos após a ressurreição dos corpos (cf. Jo 14:1-2). Ao afirmar que Maria já recebeu o seu “lugar preparado por Deus”, o Apóstolo afirma indiretamente que a Virgem já triunfou com seu corpo na glória celeste.

Neste mesmo capítulo, alguns versículos depois, São João novamente enfatiza o fato da Assunção ao afirmar: “Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente.” (Ap 12:14).

Entende-se aqui por “deserto”, um símbolo de um lugar seguro, protegido pela presença divina (cf. Ex 3,18; 4,27; 7,16). Este “deserto”, no entanto, não é um lugar usual: diferentemente dos demais lugares da Terra, está definitivamente “fora do alcance da cabeça da Serpente”. Trata-se, portanto, de um lugar onde Satanás já não pode alcança-la pois não pode chegar até lá. Note ainda que o fim da Mulher também não é usual: ela recebe de Deus “asas de águia” e “voa” (πέτηται) para este lugar onde Satanás não pode alcançá-la. As “asas de águia”, encontram seu significado ainda no Antigo Testamento e se referem ao cuidado que Deus tem em encaminhar-nos para junto Dele (cf. Ex 19,4), pois a águia é a ave que voa mais alto (cf. Ab 1,4; Pr 30,19), seu vôo simboliza a jornada para o Céu (cf. Pr 23,5). No Livro dos Salmos, a linguagem do «vôo» está diretamente relacionada com o transporte de Deus por meio de querubins: “E montou num querubim, e voou; sim, voou sobre as asas do vento.” (Salmos 18:10). Ao utilizar a linguagem do “vôo” à Maria, o Apóstolo novamente constata que a Virgem foi elevada aos céus de corpo e alma, assim como ocorreu com Henoc e Elias em Hb 11,5 e 2 Rs 2,11, respectivamente.

Por fim, vale ressaltar que São João afirma que Nossa Senhora voltará depois de alguns “tempos” (καιροὺς- kairous). Este é o tempo “kairós”, que significa “tempo oportuno” ou “tempo divino”. Aqui, São João evoca uma linguagem do Profeta Daniel: «os santos serão entregues ao seu poder durante um tempo, tempos e metade de um tempo. Mas realizar-se-á o julgamento e lhe será arrancado seu domínio, para destruí-lo e suprimi-lo definitivamente.» (Daniel 7:25-26). Trata-se, portanto, do tempo em que a Igreja peregrinará na Terra, sendo o sangue dos santos derramado. Quando este tempo acabar, ocorrerá o Juízo Final e a Mulher, finalmente retornará junto do «Senhor com milhares de seus santos» (cf. Jd 1:14).

Os primeiros cristãos também criam na doutrina da Assunção da Virgem, embora poucos de seus escritos tenham chegado até nós sobre o tema devido principalmente às perseguições e a falta de necessidade apologética sobre o tema (uma vez que nem mesmo os hereges ousavam discordar do fato, não havendo necessidade de comentar sobre ele). A obra mais antiga que se propõe a relatar a Assunção da Virgem que chegou parcialmente até nós é o chamado “Liber Requiei Mariae” (ou “Livro do Repouso de Maria”), que, de acordo com o historiador Stephen Shoemaker, a obra foi “composta provavelmente no terceiro século, se não, talvez, até mesmo antes disso” [1].

Posteriormente, já no século IV, Santo Epifânio dizia que a Virgem “é como Elias, que era virgem desde o ventre de sua mãe, permaneceu assim eternamente, e foi assumido aos céus” (Santo Epifânio de Salamia, Panarion 79, 5,1). O mesmo dizia seu contemporâneo, Timóteo de Jerusalém: “Por isso, a Virgem é imortal até hoje, vendo que ele que habitou nela, transportou-a para as regiões de sua assunção” (Timóteo de Jerusalém, ‘Homilia sobre Simeão e Ana’).

Para saber mais sobre a Doutrina da Assunção nos cinco primeiros séculos da Igreja, confira o artigo do ilustre mariólogo, Pe, Gabrielle Roschini, traduzido pelo site Apologistas Católicos: http://www.apologistascatolicos.com.br/index.php/apologetica/virgem-maria/954-a-assuncao-de-maria-santissima-nos-primeiros-cinco-seculos-da-era-crista

Viva a Cristo!

Viva a Virgem Assunta aos Céus!

Viva Nossa Senhora da Assunção!

FONTES

[1] SHOEMAKER, Stephen. ‘Death and the Maiden: The Early History of the Dormition and Assumption Apocrypha’, p. 65.

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