Nota oficial do grupo Salve Roma sobre as denúncias ao evento organizado pela Paróquia São Francisco de Assis – Ermelino Matarazzo/SP

NOTA OFICIAL

Em decorrência da repercussão pública que nossas denúncias tiveram contra a palestra do grupo feminista e pró-legalização do aborto “Católicas pelo Direito de Decidir” na Paróquia São Francisco de Assis – Ermelino Matarazzo (SP), dia 01 de Agosto, viemos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

I. REPUDIAMOS, qualquer incentivo a violência ou ameaça de qualquer tipo aos jovens, palestrantes e organizadores do evento.

II. A ONG feminista Católicas pelo Direito de Decidir, que foi autorizada a palestrar na Paróquia São Francisco de Assis pelo sacerdote Antônio Luís Marchioni – popularmente conhecido como “Padre Ticão” – não somente não é reconhecida como uma instituição católica por parte da hierarquia da Igreja, como também acumula uma série de condenações por parte de diversas Conferências Episcopais ao redor do mundo [1].

A CNBB, por exemplo, afirma claramente sobre a organização em seu site:

“Têm chegado à sede da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – inúmeras consultas sobre a ONG denominada “Católicas pelo Direito de Decidir”, uma vez que em seus pronunciamentos HÁ VÁRIOS PONTOS CONTRÁRIOS À DOUTRINA E À MORAL CATÓLICAS. Esclarecemos que se trata de uma entidade feminista, constituída no Brasil em 1993, e que atua em articulação e rede com vários parceiros no Brasil e no mundo, em particular com uma organização norte-americana intitulada “Catholics for a Free Choice”. Sobre esta última, a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos já fez várias declarações, destacando que o grupo tem defendido publicamente o aborto e DISTORCIDO o ensinamento católico sobre o respeito e a proteção devidos à vida do nascituro indefeso; é contrário a muitos ensinamentos do Magistério da Igreja; NÃO É UMA ORGANIZAÇÃO CATÓLICA E NÃO FALA PELA IGREJA CATÓLICA. Essas observações se aplicam, também, AO GRUPO QUE ATUA EM NOSSO PAÍS.” [2].

III. Ora, mesmo com todas as condenações por parte de diversas Conferências Episcopais sobre o referido grupo feminista – incluindo a nossa – e sendo pública a opinião da mesma entidade acerca da legalização do aborto e demais pautas feministas condenadas pela Igreja (como a malfadada “teoria” ou ideologia de gênero), o chamado Padre “Ticão” permitiu que a mesma palestrasse aos jovens de sua Paróquia como se fossem um grupo católico, sendo, portanto, motivo de escândalo para os fiéis (cf. Mt 18:6-7).

IV. Não é lícito aos católicos promoverem “discussões” que questionem “princípios não-negociáveis” da Igreja, como, por exemplo, sua posição favorável a vida desde a concepção e contrária a legalização de qualquer tipo de aborto em qualquer estágio da gravidez. Assim afirma, por exemplo, o Papa Bento XVI:

“No que se refere à Igreja Católica, o interesse principal das suas intervenções no campo público é a tutela e a promoção da dignidade da pessoa e, por conseguinte, ela chama conscientemente a uma particular atenção aos princípios que NÃO SÃO NEGOCIÁVEIS. Entre eles, hoje emergem os seguintes: TUTELA DA VIDA EM TODAS AS SUAS FASES, DESDE O PRIMEIRO MOMENTO DA CONCEPÇÃO ATÉ À MORTE NATURAL; reconhecimento e promoção da estrutura natural da família, como união entre um homem e uma mulher baseada no matrimónio, e a sua defesa das tentativas de a tornar juridicamente equivalente a formas de uniões que, na realidade, a danificam e contribuem para a sua desestabilização, obscurecendo o seu carácter particular e o seu papel social insubstituível; tutela do direito dos pais de educar os próprios filhos.” [3]

Ora, ao permitir a palestra de um grupo anti-católico já condenado pela Hierarquia da Igreja diversas vezes e que publicamente questiona o ensinamento católico acerca de – como disse o Papa Bento XVI – “princípios não-negociáveis”, o sacerdote incorreu em falta grave para com Deus, a Igreja e seu ofício. Assim também ensina o Venerável Papa Pio XII:

“O que não corresponde à verdade e à Lei Moral não tem objetivamente nenhum direito de existência, NEM DE PROPAGANDA, nem de ação”[4].

V. O Código de Direito Canônico no cânon 212, deixa claro que:

“§ 3. Os fiéis, segundo a ciência, a competência e a proeminência de que desfrutam, têm o direito e mesmo por vezes o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja, e de a exporem aos restantes fiéis, salva a integridade da fé e dos costumes, a reverência devida aos Pastores, e tendo em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas.”[5].

Esta é a razão pela qual incentivamos publicamente a denunciar o evento ocorrido primeiramente aos padres que o permitiram (e que, infelizmente, se obstinaram no erro mesmo após as denúncias); depois, ao bispo diocesano responsável por estes padres (Dom Manuel Parrado Carral); e, agora, o fazemos pedindo que tais sacerdotes sejam denunciados à Nunciatura Apostólica, para que lhes seja aplicada as devidas sanções.

VI. Nosso grupo, formado por católicos romanos fiéis ao Magistério Infalível da Igreja e ao Santo Padre, o Papa Francisco, não abriremos mão de nosso dever moral em condenar abertamente as ações escandalosas promovidas pela Paróquia em questão, mas, pelo contrário, seguiremos o ensinamento de São Paulo: “não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente.” (Efésios 5:11). Os valores morais dos católicos não serão vilipendiados por ninguém. Afinal, como dizia Santo Tomás de Aquino, Doutor Comum da Igreja: “Não se opor ao erro é aprová-lo, não defender a verdade é negá-la.”.

Dos admnistradores,

Lucas & Gabriel Klautau.

FONTES

[1] http://www.usccb.org/news/2000/00-123.cfm

[2] http://www.cnbb.org.br/nota-da-cnbb-sobre-as-catolicas-pelo-direito-de-decidir/

[3] https://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/pt/speeches/2006/march/documents/hf_ben-xvi_spe_20060330_eu-parliamentarians.html

[4] Papa Pio XII, Ci riesce, 06.12.1953. in “Documents pontificaux’, ano de 1953, p. 616.

[5] http://www.vatican.va/archive/cod-iuris-canonici/portuguese/codex-iuris-canonici_po.pdf

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