“Quem gosta da Missa Antiga deve ter acesso a ela”, diz Cardeal chinês

Que lugar tem a liturgia na vida de Vossa Eminência?

 

Cardeal Zen: É o momento mais importante do meu dia. Eu sou religioso (salesiano) e, enquanto tal, dou grande valor à nossa oração comunitária. A nossa comunidade dispõe, além disso, de belas instalações para a liturgia.

 

Vossa Eminência foi um dos primeiros sacerdotes chineses a celebrar o Novus Ordo, como sinal de unidade com Roma. Desde então, o Papa Bento XVI permitiu que a missa tradicional se celebrasse novamente, o que Vossa Eminência fez com grande agrado, nomeadamente em Hong-Kong…

 

Cardeal Zen: Pessoalmente, vi com muito bons olhos a direção indicada pelo Papa Bento XVI, agora emérito. Teve toda a razão em dizer que a missa tradicional jamais havia sido abolida. E se os fiéis a acham mais propícia para alimentar a sua devoção, devemos dar-lhes a possibilidade de a ela terem acesso. Coube-me introduzir entre os seminaristas chineses a missa do pós-concílio (de 1989 a 1996, o Cardeal Zen ensinou nos Seminários chineses, que até então estavam vedados aos sacerdotes romanos), e poder fazê-lo foi uma felicidade. Mas já nessa altura, lhes lembrava que não havia qualquer mal em celebrar a liturgia antiga. A nossa fé, a nossa vocação, os nossos santos, tudo nos vem dessa liturgia, dessa maneira de rezar.

 

Tem apreço pelo latim?

 

Cardeal Zen: Muito. Estimo muito os cânticos gregorianos e sei vários de cor. Recito-os durante as minhas orações privadas e acho-os admiráveis! Gostaria de ver mais vezes a forma ordinária celebrada em latim, como o desejava o concílio.

 

Na Europa, os opositores das missa tradicional dizem que ela só é querida por um pequeno número de pessoas: que comentário lhe merece essa observação?

 

Cardeal Zen: Não vejo onde esteja o problema. Também em Hong-Kong, há um pequeno grupo. Quem gosta da Missa Antiga deve poder ter acesso a ela. É um direito que lhes assiste. Não é preciso obrigar os fiéis a agruparem-se de modo artificial: é suficiente um pequeno grupo.

 

E a Missa Antiga não ameaça a unidade da Igreja?

 

Cardeal Zen: Não, de todo. Por que motivo o deveria fazer? Na Igreja, há muitas liturgias, nomeadamente as das igrejas do Oriente. A diversidade dos ritos não é um problema.

 

Tem alguma mensagem que quisesse deixar aos fiéis ligados à Missa Antiga?

 

Cardeal Zen: Sim, tenho: que é absolutamente evidente que a missa tradicional continuará a ser importante no futuro. As pessoas que a desejam devem poder assistir a esta missa, desde que, bem entendido, não se levantem contra a missa nova. Em Hong-Kong, as pessoas que participam da missa tradicional vão também à missa moderna, e nada têm contra ela. Como todos os fiéis em todo o mundo, os chineses tiram grandes benefícios da tradição da Igreja.

Via Senza Pagare.

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