“Não tenho autoridade para isso e, se tivesse, não o faria, por convicção pessoal”, diz Arcebispo de Belém sobre abolição do celibato

dom alberto taveira

Em 2016, uma grande crise abalou a Igreja de Belém. Descobriu-se que um sacerdote carismático, que vinha ganhando fama na cidade por atrair um grande número de fiéis para as ‘adorações ao Santíssimo’ realizadas na principal igreja do estado – a Basílica de Nossa Senhora de Nazaré -, havia supostamente se envolvido sexualmente com pelo menos duas jovens moças. Uma delas se encontraria grávida, enquanto que a outra, já seria mãe de um filho seu de nove anos. Imediatamente, a Arquidiocese afastou o sacerdote.

O escândalo, então, se generalizou pelas ruas de Belém: A mídia e os ‘devotos’ do referido ex-sacerdote começam a criticar publicamente Dom Alberto, Arcebispo de Belém, pela sua ‘rigidez’, uma vez que, como o então padre atraía “multidões” para suas celebrações carismáticas e a Igreja vinha “perdendo muito fiéis”, fazia-se supostamente necessário que a Igreja e, especialmente, o Arcebispo, se “modernizassem”, abolindo a ‘retrógrada’ doutrina celibato e abraçando as exigências do mundo moderno. Um conhecido jornalista paraense chegou ao cúmulo de dizer que o celibato era “uma condição anacrônica, absurda e anti-humana imposta pelo Vaticano”.

O Arcebispo, então, se manifesta sobre o caso. Primeiramente, ele informa que sacerdote em questão havia decidido voluntariamente abandonar tanto ao sacerdócio quanto a vida religiosa. Posteriormente, respondeu enfaticamente a seus críticos:

“Na ocasião, no princípio do ano, colocaram a culpa no arcebispo. E a culpa era mais ou menos assim: ‘ah, o arcebispo devia acabar com o celibato sacerdotal’. Primeiro que eu não tenho autoridade para isso e, se tivesse, não o faria, por convicção pessoal. O fato de alguém tomar uma decisão que vai contra a norma da Igreja não diminui o valor da norma” (Fonte: site do G1).

Com tais esclarecimentos, toda a confusão na cidade chega ao fim.

Ora, a declaração do Arcebispo não poderia ser mais fiel à doutrina que o mesmo prometeu proteger no dia de sua ordenação. Afinal, se quando em Mateus 19:10, os apóstolos declaram a Cristo que “se tal é a condição do homem a respeito da mulher, é melhor não se casar”, os mesmos não são repreendidos por Nosso Senhor por apresentar um pensamento que a modernidade ousa chamar ‘anti-humano’, mas antes, são encorajados por Aquele que fez os Céus e a Terra a fazer o mesmo: “há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda.” (Mateus 19:12), quem somos nós para dizer o contrário?

As Escrituras gritam em favor do celibato. Em 1 Coríntios 7:1, São Paulo ensina que: “O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa.” (1 Coríntios 7:32-33). Inspirado pelo Divino Espírito Santo, o Apóstolo dos Gentios ainda afirma explicitamente que o desejável era que todos fossem como ele, celibatários (1 Coríntios 7:7). Do mesmo modo ensina o Apocalipse sobre a dignidade do celibato: “Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro.” (Apocalipse 14:4).

Agora, no entanto, aproxima-se o Sínodo da Amazônia no qual membros do próprio clero tentarão acabar com o celibato na região governada por Dom Alberto. Os fiéis de Belém, assim como os que peregrinam pelo Brasil todo, suplicam ao Arcebispo para que o mesmo não se esqueça das palavras proferidas durante aquela ocasião e mostre a sua fidelidade à Sã Doutrina no dia em que seus irmãos bispos, aqueles que deveriam proteger a disciplina apostólica e o patrimônio da fé, tentarão destruí-la, abrindo exceções sobre exceções para rechaçar de uma vez por todas o celibato sacerdotal e abraçar os clamores seculares da mídia e do mundo moderno. É a hora de Dom Alberto confessar, assim como São Pedro, a fé no “Filho de Deus Vivo” (Mt 16:16), combater os lobos vestidos em peles de cordeiro, e, por fim, combater os anseios deste mundo “porque todo o que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.” (1 Jo 5:4).

Rezemos pelo Arcebispo, pelo Sínodo, e, é claro, pelo Santo Padre, o Papa Francisco, para que mantenham essa santa disciplina herdada pelos apóstolos, que fundou o Brasil, e que foi responsável por galgar todos os fiéis do rito romano até os dias de hoje.

7 comentários

  1. Sou pai de um Sacerdote, quando meu filho atendeu o chamado divino pra ser Sacerdote, no Seminário Pio X, ele aceitou, sabendo que deveria ser Celibatário, a Igreja sempre se comportou dessa forma, o que ocorre é que muitos Cristãos de IBGE, acham que podem controlar o próprio Deus, não conhecem a doutrina de nossa Igreja, nem tão pouco Deus, e julgam sem necessidade. Algumas dessas pessoas, apesar de Católicas, agem sem nehum conhecimento. Dom Alberto Taveira está corretíssimo em suas colocações. Parabéns Arcebispo!

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  2. Se a nossa Igreja, é fé verdadeira porque não permanecer como ela é, se o Padre foi infiel com a mãe Igreja, ele agio certo de pedir seu afastamente o sacerdote e o Bispo também respondeu pela verdade!

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  3. Sabemos que as escrituras nos mostram como e porque os pares devem ser celibatário. Mas por se sentirem dono da razão querem viver a frouxidao do espirito
    querendo enraizar-se do direito de viver essa duplicida,alimenrando-se de desculpa.
    Não é difícil viver o voto de castidadede e assim viver seu celibato desde que tenham convicção de sua promessa é propósito. Assim como a mulher casada, pela moral e propósito na promessa ao Santo matrimônio e a seu esposo, mesmo diante do sacrifícios de uma relação sexual sem o êxtase o qual lhe é conferido pelas escritura, de joelho no chão e com o olhar para os Ceus mantém firme e inabalável pelo voto que o fizeram assim também os sacerdotes tal qual devem se esforcar, lutar e ser orante para viverem a plenitude da castidade e o celibato que lhe é conferido no proposito de suas promessa é lealdade com Cristo Jesus. O tempo de seminário
    não é só para o estudo mas também para que saibam e tenham a firme convicção de como terão que viver e seu sim seja no escuro, mas consciente de todo o sacrifício que lhes virá. A renúncia ao sexo deve ser a cada segundo não devendo dar abertura ao acaso e sê constante na oração. Sei que não devo tomar suco de cupuacu, porque sei que vou passar mal, e não quero passar mal, assim o sacerdote sabe que não deve dar ouvido a sedução e muito menos alimenrar-se da mesma.E os que querem viver de outra forma. que tenham respeito pela igreja e a decência de se desligarem e não a venham macular. Os que procedem de forma errada com a igreja assim irão proceder com sua vida conjugal e ou qualquer coisa que façam pois lhe falta caráter e convicção.

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  4. Vivemos em um tempo ” dificil” , desafiador e ao mesmo tempo como todos os outros tempis, a Igreja no mundo é desafiada a viver contra a corrente , que busca engolir tudo aquilo que é contra o que essa ” modernidade prega”. Portanto precisamos ter fé e conviccão daquilo que vivemos. Confiantes e firmes na oração façamos sempre o própisito de perseverar na doutrina dos apóstolos e na fé que a Igreja prega.

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  5. Ola!
    Parabéns pelo texto e esclarecimentos. Muito catequetico e fiel.
    Um pedido a vocês: Evitem a utilização do sinal dois pontos (:) nas citações bíblicas. Este sinal é utilizado por igrejas e teologias protestantes. Isto pode confundir o leitor. A tradição católica utiliza a vírgula (,) onde a tradição protestante utiliza dois pontos (:).
    Novamente parabéns pelo trabalho de vocês.
    Paz!
    +

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  6. Tema muito complexo. Não tenho conhecimento profundo para discuti-lo à luz da religião. Muito menos com os olhos Deus. Aos olhos humanos, acho uma exigência quase sobre-humana. Se os sacerdotes querem e podem ser santos, tudo bem. Se são humanos, poderiam escolher.

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