Celso de Mello ironiza Damares e defende ideologia de gênero

Relator de uma das ações que pedem a criminalização da suposta “homofobia”, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Celso de Mello afirmou em julgamento hoje que a “heteronormatividade” restringe os direitos da população LGBT e citou, em tom crítico, a frase da ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves, de que “menino veste azul e menina veste rosa”.

O ministro ainda não terminou seu voto. Até o momento, Celso de Mello tem feito uma defesa dos direitos dos homossexuais e transexuais. Mostra-se crítico das posições conservadoras e cristãs.

“Essa visão de mundo, fundada na ideia artificialmente construída de que as diferenças biológicas entre o homem e a mulher devem determinar os seus papéis sociais –meninos vestem azul e meninas vestem rosa– essa concepção de mundo impõe, notadamente em face dos integrantes da comunidade LGBT, uma inaceitável restrição às suas liberdades fundamentais, submetendo tais pessoas a um padrão existencial heteronormativo incompatível com a diversidade e o pluralismo que caracterizam uma sociedade democrática”, disse o ministro.

A frase de Damares foi registrada em vídeo durante comemoração pouco depois de tomar posse no cargo. na imagem, a ministra aparece dizendo: “Atenção, atenção. É uma nova era no Brasil. Menino veste azul e menina veste rosa”.

Em outro ponto de seu voto, Celso de Mello criticou o uso da expressão “ideologia de gênero”, termo usado pela maioria dos professores de filosofia para criticar a ideia absurda de que o indivíduo não nasce nem homem nem mulher mas tal “identidade” seria imposta pela sociedade. Ideologia refutada pela biologia.

“E cabe destacar que se algo aqui é ideológico, no sentido pejorativo, é a tese que defende que as pessoas nascem heterossexuais e cis-gêneras [pessoas cujo sexo biológico corresponde à ideologia de gênero] e que por orientação sexual posteriormente passam a escolher alguma orientação sexual não heterossexual”, disse o ministro.

Celso de Mello é o primeiro ministro a votar hoje, quando o STF julga duas ações que pedem a criminalização da suposta “homofobia” e da também suposta “transfobia”, que não apresentam conceituação objetiva.

As ações foram apresentadas pelo partido de extrema-esquerda PPS (Partido Popular Socialista) e pela ABGLT (Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgêneros). Celso de Mello é relator de um dos processos e o ministro Edson Fachin, do outro.

Nos casos envolvendo agressões motivadas por preconceito contra a população LGBT, a conduta é tratada como lesão corporal, tentativa de homicídio ou ofensa moral.

Agora o movimento gayzista quer, através do ativismo judicial, contrariar a extrema maioria da população brasileira e do Legislativo. Na prática, falas criticando pautas do movimento gay (ideologia de gênero, “casamento” e adoção gay, etc) em meio público seriam criminalizadas.

Cristãos podem ser presos se a ADO passar.

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