Separadas da Igreja Católica, igrejas orientais cismam entre si

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Neste sábado (5), foi formalmente confirmado pelo Patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, o cisma e a consequente criação da Igreja Ortodoxa da Ucrânia. Igreja qual estava ligada desde 1686 com a Igreja Ortodoxa da Rússia. A confirmação veio com a assinatura do patriarca constantinopolitano ao ‘‘tomos’’ (decreto) em Istambul diante de clérigos e do presidente ucraniano Petro Poroshenko.

Os orientais das igrejas que cismaram com Roma em 1054 acreditam que o patriarca de Constantinopla, Bartolomeu I, é o ‘‘primeiro entre os iguais’’ (primus inter pares) e que possui certo ‘‘primado’’ honorífico. “A devota população ucraniana tem esperado por este dia abençoado por sete séculos completos” e que ucranianos podem, agora, desfrutar do “presente sagrado da emancipação, independência e autogoverno, libertando-se de toda intervenção externa”, disse Bartolomeu.

A Igreja Ortodoxa Russa declarou que o decreto é apenas um “pedaço de papel”. Vladimir Legoida, porta-voz do Patriarcado de Moscou, afirmou que o ‘tomos’ foi assinado em violação de todas as regras e que carece de “todo valor canônico”, convidando os fiéis a pensar agora no Natal ortodoxo, que está próximo (celebrado pelos orientais no dia 7 de janeiro) e não neste documento fruto das ambições ‘‘políticas e pessoais’’ dos dirigentes ucranianos. O arcebispo Hilarion, chefe de relações exteriores da Igreja Ortodoxa Russa, chegou a comparar o novo cisma com o ‘Grande Cisma de 1054’, afirmando que a divisão pode durar inclusive por séculos.

Autocefalia é um acontecimento de uma importância similar à da aspiração de ingressar na União Europeia e na OTAN” disse o presidente ucraniano. Poroshenko também agradeceu Bartolomeu I “pela coragem de tomar essa decisão histórica” e disse que “entre as 15 estrelas das igrejas Ortodoxa do mundo, uma estrela ucraniana apareceu”, referindo-se ao número atualizado de igrejas que não respondem a uma autoridade externa. Os críticos do presidente o acusaram de promover o cisma por meros fins políticos, devido sua baixa popularidade e a proximidade das eleições presidenciais, previstas para março.

O patriarca Bartolomeu de Constantinopla junto com Epifânio, líder da recém-criada Igreja Ortodoxa Autocéfala da Ucrânia, rejeitou as acusações de que a concessão da autocefalia se deva a motivos políticos afirmando que seu país “seguiu nessa direção nos últimos 30 anos”. A busca da separação se intensificou depois que a Rússia anexou a península ucraniana da Crimeia, em 2014.

Segundo pesquisas, a Ucrânia é um país onde 68% se consideram ”ortodoxos” (cismáticos orientais). Contudo, a nação apresenta cerca de 10% de católicos (sendo a Igreja Católica Grega Ucraniana a maior Igreja Católica da Ucrânia e está em comunhão com o Papa, sendo uma das 23 igrejas católicas orientais e rezando o rito bizantino).

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