Em discurso de posse, novo chanceler reza Ave-Maria em tupi, cita São João quatro vezes e ainda promete defender o ‘direito de nascer’ na ONU

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Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Em seu discurso de posse, o novo ministro das relações exteriores, Ernesto Araújo, fez questão de enfatizar sua fé para todas as autoridades ali presentes: rezou em voz-alta toda a oração “Ave-Maria” em tupi-guarani, citou Deus seis vezes, São João quatro, e ainda prometeu defender o “direito de nascer” na comunidade internacional. Uma transcrição do discurso está disponível na íntegra no site Estudos Nacionais, e pode ser lido clicando aqui.

Araújo – que é católico praticante – já havia prometido em outras ocasiões que combateria o lobby abortista e anticristão na ONU, entidade historicamente conhecida por defender o aborto de pessoas com necessidades especiais, com o intuito de eliminá-las eugenicamente da sociedade. O novo ministro também se declara publicamente como crítico do controle de natalidade, concordando – pelo menos pelo que parece – com o que ensina a Igreja em sua encíclica Humanae Vitae.

Além do chanceler, também são católicos praticantes o novo Ministro da Educação, Ricardo Vélez, e a nova Secretária da Família, Ângela Gandra. Ângela, que é filha do famoso jurista católico Ives Gandra e irmã do ex-presidente do TST, Ives Gandra Filho, ficou conhecida nacionalmente por ter representado a UJUCASP (União dos Juristas Católicos de São Paulo) nas audiências públicas do STF sobre a ADPF 442 (que visa legalizar o aborto em todos os casos até a 12ª semana de gestação), onde considerou a ação um verdadeiro “aborto jurídico”.

Vale ressaltar que, embora a Constituição Federal assegure tolerância religiosa a todos os seus cidadãos (cf. art. 5, inciso VI), ela proíbe expressamente todas as entidades que compõem a Federação a fundar e financiar com o dinheiro público cultos e igrejas estatais controladas e coordenadas pelo Governo – como fazem a China e demais países socialistas, por exemplo – (cf. art. 16, inciso I), uma vez que até hoje o Estado Brasileiro reconhece o “caráter peculiar” da Igreja Católica sob as demais religiões em seu ordenamento jurídico (cf. art. 16 do Decreto nº 7107/2010), motivo pelo qual a lei reconhece a Virgem Maria, mãe de Jesus, como a “padroeira do Brasil” (cf. artigo 1 da Lei nº 6.802/1980); nossa Constituição é jurada “sob a proteção de Deus” (cf. Preâmbulo da Constituição Federal); os feriados católicos (como o dia de Nossa Senhora Aparecida e o dia do nascimento de Nosso Senhor) são reconhecidos como feriados nacionais por nosso ordenamento (cf. lei 10.607/2002; lei 6.802/1980); a religião católica dispõe de um estatuto exclusivo para si  (cf. Decreto nº 7107/2010); as cidades e estados carregam nome de santos católicos; as estátuas católicas estão expostas nas repartições públicas; a expressão “Deus seja louvado” está presente em todas as cédulas de real; e o ensino religioso exclusivamente católico nas escolas públicas é permitido no país (cf. ADI 4439).

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